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sábado, 7 de janeiro de 2017

O carioca

Ele é muito querido por todas as pessoas a sua volta. Todo mundo olha pra ele com admiração. Todo mundo quer ser amigo dele. Mesmo assim, ele me trata como se eu fosse o príncipe. Ele olha pra mim como se eu fosse a melhor coisa que já lhe aconteceu. Mesmo assim, mesmo que ele tenha uma história incrível de conquista.
Não me pede pra ficar, mas me mantem perto todo dia, porque ele é hilario. Ele me faz rir só ao me desejar bom-dia.
Todo mundo conhece ele como se fosse um Rei, mas ninguém sabe da delicadeza em seu olhar quando me encontra triste. Ninguém assiste o ritual que ele faz pra me manter confiante e esperançoso de que no dia seguinte vai ser melhor.
As pessoas sabem o quanto ele é agradável, mas não sabem como ele guarda a roupa no closet de maneira peculiar e engraçada. Esperam dele a perfeição, mas ninguém nunca pediu pra ele tirar o sapato. Isso faz dele mais humano e, por isso, muito melhor.
Ele não se irrita e nem levanta a voz pra ninguém que tenta lhe tirar a paz, age sempre com espirituosidade e amor, sempre carrega consigo uma aura plena. Mas quando alguém fala ríspido comigo, ele levanta a voz meio três oitavas.
Todo mundo acha ele lindo no vídeo, agora, imagina se vissem como ele aperta o olho direto até a metade da iris e levanta o lábio superior numa mistura de sorriso e dor quando fica constrangido.
Um dia fiquei com um sentimento de competitividade com ele, porque ele cozinha bem, é engraçado, desenha, faz trança, enfim, tudo que eu faço, ele parece que faz melhor. Então, ele pegou um pouco de feltro e fez um toy-art muito mais legal que eu o meu. Logo, me senti diminuído, só que percebi que ele me admira porque sempre enxerga o brilho nos meus olhos, porque sempre acha lindo o que eu faço, sem competir. Com isso, ele me fez ficar um pouquinho maior!
Ele disse no primeiro encontro que gostava de tudo que eu gostava: Sense8 e Sakura Card Captors, por exemplo, ou de maratona de séries durante a folga. Mas não consegue assistir um episódio inteiro de uma maratona que sugiro. Aí, a gente descobriu junto Rupaul, The OA e Stranger Things, somar é sempre bom!
Ele sempre se dispõe a ler o que escrevo.
Ele disse que era bom economizar nas compras dos móveis de casa, mas pediu uma king size sem saber se passava na porta, mesmo que nossa mesa de cozinha seja até hoje os pufes da sala. Falando em economia: a gente sempre sai pra jantar japonês, mesmo que mês feche no vermelho.
Ele vive de dieta sem emagrecer, mas eu o amo assim. Vai sempre a academia, mas não dispensa uma cerveja, isso me faz amá-lo ainda mais.
Ele é tão boa-praça que nunca demonstra ciúmes, faz café pra mim e cozinha pra galera. O tempero dele parece feitiçaria. Talvez, seja pelo misticismo inerente. Afinal, ele confirma sempre que era encontro marcado, nessa vida, isso que eu e ele vivemos. E toda vez que ele me abraça forte, reforça que estamos marcando encontro pra outras vidas, mesmo que eu diga que queria mesmo era não precisar voltar.

sábado, 22 de outubro de 2016

Ausente o Encanto

Olho pro lado e enxergo a mancha metafórica escorrer pelas paredes e derrubar os quadros da sala. De soslaio observo os livros antes agrupados em títulos se separerem por posse. No teto surgem lentamente teias de aranha. A pia cheia, a cozinha vazia, uma mancha na sala em que se esfregou mas ficou o sombreado com um anel de tom brilhoso em torno. Meio casmurro, olho para o chão e vejo livros, quadros, a ferrugem ao pé da cadeira, o momento derradeiro... aceleração-cardíaca-interminente, não me comova, se ausente!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Dona Glória

Ontem, eu encontrei uma moça, ela me atendeu num evento em que eu estive, assim, ela me olhou com muita atenção e eu logo peguei o celular para ver no reflexo se havia algo de errado com meu rosto - Afinal, era de manhã. - Mas, oras, eu tinha tomado banho e estava descansado! O que havia de errado? - Nada! Acontece, que em outra oportunidade ela me abordou: Você é o Hugo Dalmon - Como qualquer ser humano normal eu senti um frio me subir pela espinha, logo pensei "O que eu fiz de errado? Será que caiu um vídeo meu na rede que eu ainda não estou sabendo? Senhor, me tira dessa!!!", mas, como na vida eu aprendi a assumir minhas ações, eu, mesmo podendo dizer que meu nome era Jaspion, ou He-man, que foram os primeiros nomes que vieram à mente, eu confirmei que me chamava Hugo Dalmon. Admirada ela disse que se lembrava de mim nas séries iniciais do ensino fundamental, ela era da Secretaria. Não me lembrei dela, perguntei logo pela Dona Glória!Dona Glória aposentou, nem sei o que se deu dela, num sei se tá inteira, não sei se ainda é bonitona, não sei se é barraqueira, se enlouqueceu, se está divorciada, se fez faculdade ou se virou lésbica. Mas, Dona Glória era a bedel da escola, entre toda uma equipe de funcionários existentes naquela escola, a pessoa que eu mais gostava era a Dona Glória. Ela me via sempre pelos cantos do pátio e me abordava com assuntos engraçados, ela me defendia dos bullyings e me fazia companhia nas atividades em grupo que eu não tinha ninguém.A moça da secretaria afirmar que se lembrava de mim, me fez perceber o quanto eu amo a Dona Glória. E é estranho amá-la e não saber como vai a vida, é um pouco estranho perceber esse amor fraternal por ela e não conseguir expô-lo. Se eu pudesse vê-la mais um vez eu a abraçaria forte e diria o quanto a amo...Acho que, definitivamente, não precisamos da presença constante dos que amamos para que o amor permaneça em nossos corações, eu poderia muito bem ignorar a existência de Dona Glória, mas na verdade, a existência dela é o que me ajudou a existir e contribui para eu ser o que sou hoje. O que é clichê sempre traz um pouco da essência necessária para nossas vidas, realmente, nós não sabemos aproveitar o tempo que temos com quem amamos. Acima de tudo, Renato Russo disse algo incrível em uma de suas canções: "Se um dia fores embora, Te amarei bem mais que nessa hora" - Só conseguimos sentir o tamanho do amor, quando ele não está por perto.

o espaço na mídia é quase zero. por isso, falamos aqui. estamos de olho!