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LEMBRANDO: O PREÇO É DE CAPA COM A COMODIDADE DE ENTREGA EM SUA CASA.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Eu sou alienado

Tudo começou no dia 24 de Junho de 2015. Sim, isso mesmo! "Eu não conhecia Cristiano Ronaldo - digo - Araújo X Vai fazer muita falta em nossas vidas". E uma semana depois a coisa continua. -Primeiro, quero lembrar: Isso é bom! E é bom até mesmo para o finado cantor, afinal, ele mantém sua missão em exercício e fomenta a discussão sobre a convivência, cultura e contextos, seja social, cultural, econômico... - Voltando, Zeca Camargo precisou pedir desculpas, depois de criar uma crônica que segundo ele foi mal interpretada. Martha Medeiros ponderou um pouco mais, mas manteve um raciocínio de que cultura tem uma linha a ser seguida. Um monte de intelectual, pseudo-intelectual e pessoas expuseram suas opiniões no Facebook. Eu, bom... eu fiquei quietinho na minha, morrendo de vergonha de não conhecê-lo.
Pois é, vergonha em não conhecê-lo, porque ele era um dos ícones do sertanejo universitário. Tudo bem eu não ser fã do ritmo. Mas, eu acredito que se realmente pregamos a diversidade, se queremos fomentar e incitar um mundo cheio de possibilidades, cheio de respeito às diferenças, se queremos compreender melhor todos os contextos, enfim, se nosso desejo é, de fato, um mundo multicultural com base no respeito; bom, acho que o ideal seria começar pelo nosso território. Fiquei, realmente, com vergonha em não conhecê-lo. Sempre apoio a produção cultural independentemente do ritmo, independentemente do estilo, ou, independentemente, do meu gosto. Ou seja, defendo que não temos a possibilidade de conhecer todos os artistas de todos os ritmos/estilos, mas, acredito que é saudável para a sociedade que a gente reconheça os sucessos de todos os ritmos/estilos. Lembrando que 'reconhecer' não é, necessariamente, admirar, acompanhar ou seguir o trabalho dos artistas. Apenas dar a Cesar o que é de Cesar. Acontece, que ainda temos a cultura de deixar uma elite definir padrões do que é bom ou ruim. Do que é cultural e do que não é. Se a gente avaliar produções culturais tão categoricamente o novo deixa de existir e sempre viveremos em círculo.
A minha vergonha advém do fato d'eu mesmo me pegar envolvido - sem perceber - num grupo. Isso mesmo! A impressão que fiquei é que existem grupos, que se dividem tanto, que até mesmo informações nacionais acontecem, em separado, para cada um deles. E, pra mim, Zeca Camargo, Martha Medeiros e vários dos 'intelectuais' do Facebook não estão conseguindo admitir a vergonha que sentem. Estão buscando justificativas para um erro que todos cometemos juntos. Estão tentando limpar a mancha de hipocrisia que manchou o nome deles. Afinal, são pessoas que já se informaram, defenderam ou mesmo já trabalharam em prol de um utópico mundo multicultural com base no respeito.
Pois é, a minha vergonha foi ter me descoberto um hipócrita manipulado pelo meio em que vivo. Eu não sou fã do gênero, mas entendo que é uma expressão cultural. Cristiano Araújo movia multidões e fazia shows com efeitos lindos, mas eu não o conhecia. Viver no Brasil, se informar de notícias daqui e, mesmo assim, sequer ter ouvido falar em Cristiano Araújo antes da tragédia é estar alienado, sim. É fazer parte de um grupo que fecha os olhos pra uma expressão cultural e a ignora. Ninguém é obrigado a gostar, nem a saber de tudo. Mas, que temos tendência a "gourmetizar" cultura, isso não podemos negar.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Você pode ler o primeiro capítulo clicando aqui

Cap. 02: Obrigado pela Multiplicação.

Eu abri os olhos e levantei num surto só. Qualquer pessoa que visse essa cena, de longe, iria pensar que eu estava fazendo uma imitação dos clássicos do Drácula. No entanto, só estava de cara mesmo, sem dor de cabeça, sem ressaca e sem aquela vontade de nunca mais levantar, porque a bebida alcoólica daquela festa da empresa só serviu de muleta social, ou seja, só segurava o copo pra não ficar mexendo as mãos sem motivo, pois a bebida estava quente.

- Bom dia, miga! - Disse Felipa com um sorriso sarcástico de quem quer te contar um bafão.
- Que é? - Respondi enquanto tirava a remela do olho e já levantava em busca de um café.
- Sabe o Fael? O primo dele vai ficar aqui em casa por uma semana, até conseguir uma casa, ele conseguiu um emprego aqui na cidade... - Ela pausou com aquele olhar de canto superior do olho, esboçou um sorriso sacana, olhou pra trás conferindo se alguém chegaria de repente e prosseguiu – MIGA, ELE É LINDO E GAY! Ou seja, o universo conspira a seu favor...

Eu, que nunca fui uma pessoa desesperada pra encontrar um grande amor, mas que desde a cartomante só penso nisso, olhei com o olhar mais blasé que o da Lady Gaga em Poker Face, e disse que já estava muito bem encaminhado. LOUCA eu, né? Pois, nem chamar eu tinha chamado o Armani (434), o novo funcionário da empresa, pra conversar no Whatsapp. Assim, não consigo estabelecer em minha mente o que de fato era estar muito bem encaminhado, sequer eu tinha noção, na minha vida inteira, do que significava estar encaminhado. Com toda essa informação seria previsível e redundante dizer que Felipa riu, mas riu muito, aliás, ela gargalhou, chorou de tanto rir, limpou os olhos com as mãos e depois chorou de rir de novo. E enquanto isso, eu a ignorava dando atenção ao Whatsapp, em que tinha um longo diálogo, iniciado durante sua crise, assim:

- Oi, Armani!
- Oi, West. Me diga aê seu nome pra eu anotar aqui.

Obviamente que a mensagem foi visualizada e eu fui absorvido por uma dimensão superior, aquela dimensão em que uma voz divinal fica discutindo consigo o que fazer. Afinal, eu não queria dizer meu nome a ele. Por motivos de: Era meu nome. Então, voltei a olhar para Felipa, que ainda estava engasgada com a última crise de riso. Analisei aquele cabelo preto com corte chanel, os brincos longos e o sueter de tricô, nas unhas com tema Hora de Aventura e nos lábios o batom vermelho. Então, pensei, garota cult dos infernos, invés de ser a MIGA de todas as horas está, aí, rindo da desgraça que é a minha vida. Em seguida, como era a única alternativa, eu disse:

- O boy é perfeito, mas quer saber meu nome. Que eu faço, Filipa? - Ela arregalou os olhos para o meu lado, me olhou fixamente e teve outra crise de riso. Eu mostrei o dedo feio pra ela. Quando na verdade senti falta de um cabelo longo pra bater na cara dela, quando fiz a minha saída triunfal.

Desci do metrô com meus fones de ouvido estourando os tímpanos ao som de Tove Lo. Eu estava bem arrumado com as roupas da grife para a qual eu trabalho. Um boot com leve salto que fazia eu me sentir a Queen B. andando no show em direção ao ventilador. Virei duas esquinas e enxergava entre os prédios o anoitecer se tornar um espetáculo. Pronto, eu era, agora, uma diva pop desfilando no palco, agora, eu era meu alterego. Como sou suscetível, comecei a bater um cabelo imaginário no meio da rua, e meu cérebro, no automático, me levava em direção ao meu objetivo. Quando senti um cutucão, que desmontou todo o meu brilho e glamour, me trazendo de volta a personalidade que vos fala e, então, tirei um dos fones e ouvi:

- Oi! Chegamos juntos – Disse Armani com o sorriso rasgando o rosto que é ornamentado por uma barba castanha. E eu, em resposta, tive um rosto vermelho, mas não foi uma vergonha bonitinha como nos filmes românticos, por favor, não pense isso. Minha pele oleosa dava brilho a vermelhidão ridícula no meu rosto, afinal, ele me pegou desprevenido e imaginativamente montado com meu alterego, a Lady Lovet. Assim, com um sorriso sem graça sugeri que entrássemos.

Depois de horas conversando, temas como cinema, séries e música, sempre sendo chamado de West, Armani, finalmente se lembrou que não sabia o meu nome. Ok! Nesse momento meu mundo parou, não tinha mais como escapar, então, peguei minha carteira estampada de floral e tirei minha identidade. Hesitei por um momento, afinal, talvez, dar a ele o nome do meu alterego Drag fosse melhor, seria mais confortável me chamar Lady Lovet.
Os olhos dele finalmente passaram pelo meu nome escrito no documento, depois, ele sorriu fraternalmente pra mim e disse:

- Quando vou te beijar?
- Quando se sentir confortável...

Subi as escadas do edifício sem reclamar de morar no quinto andar sem elevador. A vizinha do terceiro andar estava se masturbando na escada de novo, enquanto fumava, mas, mesmo assim, eu não me abalei. Coloquei a chave na porta respirando fundo, como um ator respira pra entrar em cena. Pois, quando eu entrasse contaria a Felipa e Fael o quanto eu estava encantado pelo Armani. E sobre como minha noite de Princesa Disney foi fiel às animações... Finalmente abri a porta pronto para surpreender. No entanto, fui surpreendido:

- Oi, migaaaaaaa! - Enquanto o ~A~ se estendia, Fael empurrava em minha direção um garoto lindo, com um certo tom de timidez e óculos de grau que denunciavam sua nerdice charmosa e depois prosseguiu – Esse aqui é meu primo, o Armani! - Acho que chegamos numa etapa da história que você percebeu que me apresentarem pessoas chamadas Armani é tão usual quanto 1 Million falsificado na balada.

Continua...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ressaca



Sentia-se agora tão vazia, que nem o médico pôde entender exatamente o que se passava lá dentro. Os ecos dos seus batimentos facilmente confundiam o doutor com seu estetoscópio.
Visivelmente assustado olhava atentamente para a expressão calma e desatenta da paciente... Parecia não sentir nada fora do normal... Não sabia de absolutamente nada do que se passava.
Ela, por sua vez, sentia-se calma, mas sabia que não estava bem. Fazia cara de bonança, porém seus cílios chegavam a estremecer devido à borrasca que espreitava sua mente um tanto atordoada.
Completamente assombrado pelo que acabara de testemunhar, o médico, sagazmente, decidiu guardar, até mesmo dela, o que vira. Não queria ter que vê-la novamente... Tampouco queria estar por perto no momento em que aquela tormenta viesse à tona.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Armani, agora, é o novo preto.

Cap. 01: Obrigado pelo Futuro.


As coisas começam sempre com apresentações, sempre começam demonstrando cabimentos. Mas, eu não vejo cabimento nesta história que contarei. Afinal, eu mesmo não consigo acreditar. Vivo me perguntando - a cada vez que me ocorre os fatos que serão descritos - se tudo é realmente verdade ou se eu sou um esquizofrênico, o qual se apegou à sinopse de "O Teorema de Katerine" do John Green. Além de tudo, não dá pra confiar numa história que começa em frente a uma bola de cristal, com cartas de tarot e uma moça excêntrica dizendo:
- Sim! Será pobre. Mas, pense pelo lado bom. Terá o que comer, poderá pagar passagem de ônibus, se divertir na balada e sempre estará a apenas duas atualizações de aparelhos iPhone atrasado. - Numa pausa, com certa pigarreada, a observei ajeitando os cílios postiços, até que prosseguiu - Ou seja, você não será miserável!
- Mas, eu perceberei e sofrerei por essa pobreza? - eu perguntei, ainda perplexo.
- Claro que não, meu jovem. Você encontrará o homem da sua vida, e vejo que o nome dele será: Armani.

Esse diálogo é o suficiente para introduzir toda essa história. Antes, preciso resumir minha vida: Nasci numa família de classe média, eu me formei em História e trabalho como auxiliar administrativo de uma empresa da indústria da moda, mas de médio porte, basicamente passo o dia envelopando e postando correspondências. Não sou lindo, não sou forte, nem estiloso e tenho uma pinta peluda nas costas, num lugar que não alcanço, ou seja, não dá para depilar. Assim, percebe-se que eu já não tinha a vida fácil até ir a essa cartomante. Gastei com essa cartomante o equivalente à cinco cervejas, uma entrada na boate e seis horas no motel, pra ela simplesmente mudar a minha vida... pra pior! A principal parte, além de ser a parte que mais me traz mágoas, é que até eu ir a essa cartomante, eu não pensava em um grande amor, ainda pensava que escrevendo pra um blog de moda na internet, talvez eu ficasse famoso e milionário e parasse de envelopar correspondências. Mas, a partir desse dia, o nome Armani ecoou na minha mente e me transformou... num pobre pessimista, acima de tudo!

A empresa tinha chegado ao funcionário 434, além da empresa, também, ter batido o lucro dos meses anteriores, assim, a chefia decidiu fazer uma festa em comemoração. Já estava pensando que teria de tirar uma grana do meu suado salário pra festa avarenta, que eles chamavam de americana, em que cada um levava uma coisa. Mas, me enganei, dessa vez seria tudo pago. Inclusive, teria bebida alcoólica, só não poderíamos levar acompanhante. Logo, eu não poderia levar Felipa, nem o Fael, que dividem quarto comigo. Teria de fingir que gosto do Wanderson, que é o único com quem consigo conversar durante o dia todo. Os outros funcionários mal vejo. Eles costumam me chamar de Hélio, tenho preguiça de corrigir, isso poderia criar mais intimidade.

Wanderson 'namora' um dos chefes de repartição, quando cheguei a festa, os vi juntos no canto da pista, as luzes brilhavam, existia um cheiro bom no ar, garotas que sempre estavam descabeladas carregando pastas e papeis, naquele momento ostentavam brilho em vestidos ousados. Um garçom passou com bebidas, peguei dois copos e virei um pra suportar uma companhia que não me satisfaria tanto, depois, fiz a fina bebendo pequenos goles no segundo copo. Me aproximei do ~casal~ e puxei papo: - A festa está linda, né? - O que era uma mentira, estava uma porcaria, vazia e a cerveja estava quente.
- Está sim! - Mentiu Wanderson, também. E após essas mentiras trocadas, Wanderson e seu ~namorado~ começaram a conversar ao pé do ouvido, eu não conseguia ouvir nada, estava tocando alguma música de sertanejo universitária, talvez, fosse um pop nacional, não conhecia, mas o que importava é que a música estava alta. Assim, fui ficando alto como a música e minha vista turva. As luzes começaram a me alucinar. Ao ponto de em meio a “multidão” que “dançava”, eu conseguir enxergar um cara bonito, mas eu jamais vira alguém bonito naquela empresa! Quem poderia ser? O dono que nunca aparecera? - Isso mesmo, eu já cheguei a pensar que eu era o dono da empresa, mas sofria de dupla personalidade e fingia ser apenas o cara dos envelopes. Isso me confortava às segundas depois do almoço!

O cara bonito estava me olhando. Não acreditei, o cara bonito estava vindo em minha direção – eu definitivamente devia ser esquizofrênico – O cara bonito estendeu a mão para mim e perguntou o meu nome ao pé do meu ouvido, após me apertar a mão solenemente. O que eu poderia dizer pra ele? O meu nome?

- Pode me chamar de Kenye West! - Acredite, isso é melhor que meu nome de verdade. Ele riu, pelo menos.
- Você parece divertido. - Pausou e coçou o nariz com charme, ou eu estava bêbado de mais. - Eu sou o funcionário 434!
- Que nome engraçado que você tem! Parece nome de robô – Eu esqueci de mencionar que além de não ser lindo, sou esquisito! Mas, vale mencionar, que sair sem a Felipa e o Fael é bem mais lucro, ninguém acha que sou hetero com a Felipa e nem que sou namorado do Fael.
- Você é realmente divertido, senhor West! - Respondeu o 434 forçando um sorriso de salão.
- Eu não sou divertido, só estou tentando abafar meu nome verdadeiro – Nesse momento nosso papo foi interrompido por alguém que o cutucou. Ele se virou e pediu pra que a pessoa esperasse. Olhou pra mim e pediu que eu pegasse o celular. Pegou o aparelho da minha mão e digitou algo, me entregou dizendo:

- Kenye West, anotei meu número aí, tenho que ir, me chama depois no whatsapp, meu nome é Armani, anota aí! - Óbvio demais, você deve estar pensando. Mas, o nome Armani na minha vida, passou a ser como a cor preta na ~vida~ da Moda...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Olhar Morto



Sentada no chão em frente à tv nem se importava com a má qualidade da imagem. Olhava a tela, mas não estava vendo.
A televisão fazia um barulho alto, quase ensurdecedor, devido a uma interferência na transmissão, mas o chiado não alterava em nada a expressão abobalhada que ela tinha na cara.
O líquido vermelho que se espalhava pelo tapete demoraria a sair, principalmente porque ela não poderia limpá-lo... No momento, nem piscava os olhos.
A taça, virada, por pouco não havia se partido em pedaços, posto que acabara de cair de uma altura razoável.
Minutos atrás, enquanto levava a taça à boca, fora atingida por algo tão súbito que mal tivera tempo de reagir.
Agora tinha na cabeça muita coisa e ao mesmo tempo nada.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Pergunta Retórica

E se eu disser que vou deixar tudo que não puder me acompanhar pra trás? Será que finalmente você vai olhar com precisão pra mim?
Eu cresci presenciando coisas incomuns, cresci sendo exposto às adversidades físicas, emocionais e espirituais improváveis para a concepção de normalidade da sociedade atual. Cresci me questionando sobre problemas individuais e coletivos. Cresci envergonhado pelos atos, às vezes, mesquinhos de muitos dos meus irmãos humanos. E com tudo isso, eu aprendi algo de suma importância, cada um recebe apenas aquilo que suporta. Agora, me aproximando cada vez mais do retorno de Saturno, eu compreendo cada vez melhor: Quem não pode segurar a minha mão e seguir comigo, seja por vergonha do que sou, por tédio de quem sou, ou por necessidades individuais, também, não pode continuar o caminho ao meu lado.
Por que estou te dizendo isso? Se lembra quantas vezes bati a sua porta implorando por ajuda? Eu sempre soube que seu olho está em minha direção. Sempre te sinto onde quer que eu vá. Eu sei que você é pra mim como no poema de Edward Elstin Cummings, em que ele diz  que "Esse é o maior dos segredos que ninguém sabe./ Você é raiz da raiz, é o botão do botão./ E o céu do céu de uma árvore chamada Vida." E o por ser o que é, sabe que eu carrego em mim as limitações que carrego. Que tenho as dificuldades que tenho. Assim, mesmo com todas essas limitações e com todas as dificuldades, eu me entrego sempre a seu serviço! Só que me encontrar de mãos atadas me faz sentir como a água parada, como fogo sem combustível pra prosseguir, como a vela ao fim da cera, o ar 'viciado' ou a terra infértil. E porque eu entendo que cada um recebe aquilo que suporta: E porque entendo que está em mim enquanto aqui me manifesto: Eu, também, entendo que me meu fogo voltará a arder...Sei que não preciso te dizer nada. Sei que quando digo a mim, na verdade, é você me dizendo. Mas... e se eu te disser que deixo tudo! Que abro as grades dessa prisão, que deixo tudo e todos que não compreenderem a minha existência. Você vai olhar pra mim com precisão?E.E.Cummings diz ao fim do seu poema "Eu carrego o seu coração./ Eu o carrego em meu coração." - Como somos e estamos um no outro, eu sei que a questão se responde em mim...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Inércia

Ja não cuidava nem de si mesma. Mal e porcamente se alimentava... Há dias fizera uma panela de arroz que se arrastara ao longo daquela semana... Mal percebia o quão triste era assistir àquilo sem poder ao menos interferir. Sua auto-estima definhava à frente de seus próprios olhos e ela, nada podia fazer. Nada queria fazer... Sequer tinha ciência do que se passava.
Suplicava pela ínfima possibilidade de, em algum momento, poder estar no centro de algo... Frente aos outros era disposta, arrumada... Já em casa, essa mulher cheia de atitude, dava lugar à uma pobre vítima da vida, que passaria a vida inteira queixando-se das circunstâncias, se não houvesse o momento de ser delicadamente retirada de seu casulo... Sem a chance de desenvolver suas asas e voar para bem longe daquela personalidade idiossincrática que já não lhe caía tão bem.
Esse era o drama diário que a consumia: Ter que viver.
Vivia puramente por obrigação. Se pudesse escolher, não o faria. Era pesado demais o fardo que a vida lhe impusera... Não tinha condições para suportar tamanha cruz. Porém esquecia-se de tentar e passava os dias lá, sentada ao lado de sua cruz... Observando-a... Questionando-se... Por que comigo? Por que eu?
Sem parar para pensar que, o tempo em que dispusera-se a reclamar do fardo, era mais do que o necessário para livrar-se do mesmo.
JADE CANGUSSU