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LEMBRANDO: O PREÇO É DE CAPA COM A COMODIDADE DE ENTREGA EM SUA CASA.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Monstro

O sorriso começou a ser triste, quando percebeu que só o otimismo não bastara. Os olhos, como um abismo, distorceram a realidade como um suicida enxerga a rua em vertigem. Era pesadelo o sonho que sonhara. Era insônia as noite que parecia adormecer. Era leito derradeiro as camas em que se deitou. Era fedor os cheiros que buscara em quem fingia que amou!
Enquanto embalava num rítmo de ninar todas as verdades que conhecia, não se dera conta, que adormecer a verdade, não a matava. Segurando as têmporas com a força de um urso, forçava o pensamento que deveria se aquietar. De onde se encontrava já não podia voltar.
E mesmo que ao ver a verdade adormecida, num ímpeto de insanidade, tentasse sufocá-la como um infanticída sufoca um bebê, não conseguiria. Pois a verdade que tentava ninar, no entanto, era a qual em busca de respostas o fazia adormecer.
Mas, ele olhou pra todos os lados, inclusive para dentro. Assim, se lembrou de quantas vezes sentiu essa dor. De arrancar a pele, como quem arranca um casaco, abrir a carne, como quem tira suas roupas ao final do dia, quebrar o esqueleto, como quem transcende... e, só então, está nu, suspenso pelo ar.

terça-feira, 17 de março de 2015

O Som da cidade

Era um dia normal, ele caminhava apressadamente por uma rua movimentada e naquele instante observou o silêncio. Um martelo batia numa parede qualquer, sim! Um trabalhador deixou cair barras de ferro, inegável! Mas, todos andavam quietos, olhavam fixo o nada, um silêncio exterior atordoante. E de repente os pensamentos alheios gritavam em sua mente. Ele sabia que todos, ali, pediam socorro por motivos pessoais. Choravam em algum canto da mente. Gritavam com o coração que acelerava. E de canto de olho sabiam o que queriam, mas não o porquê! Eles estavam perdidos e absortos. Mas não sentiam. Ele que sentia o silêncio externo percebeu que se movimentavam como o trem sobre os trilhos. Seguiam uma linha! Era tudo cinza. Ninguém falava a respeito dos porquês, ninguém conversava com quem estava ao seu lado questionando os cabimentos... Ele olhava e percebia que o grito que a cidade dava era advindo do silêncio das pessoas! Era muita gente e pouco ser humano. A maioria era formada de Homens - o animal Homem - limpos. Depilados, cheirosos e bonitos visualmente. Mas que de uma maneira moderna só caçavam para sobreviver. E por mais luxo que tivessem não percebiam a sub-vida que levavam. Ele se colocou em silêncio e se misturou a multidão...

quarta-feira, 11 de março de 2015

11


Os olhos sempre me fascinaram. Não me refiro necessariamente a beleza estética existente na construção de um olhar. Quem já teve uma calopsita pousada no indicador, que após arrumar as plumas, olhou fundo nos olhos, sabe do que eu falo. Os olhos, quaisquer sejam, quando nos olham nos faz existir. Está ai a beleza dos olhos, a beleza do olhar, esse orgão, com o qual poderíamos jogar bolinha-de-gude, ou colocar numa taça de Martini decorativamente, esse simples órgão traz um sentido objetivo importante, a visão. Pois, é um sentido que nos faz existir imediatamente! E nos faz criar a existência do outro, também, em imediato.
Quando um olhar se lança em sua direção, quando de surpresa você encontra um olhar que te analisa e, que mesmo por instantes, te questiona, te despe, desloca sua alma e te deixa perder a noção do tempo, você não deve negar: você existe graças ao outro! E o outro existe graças a você.
O que ocorre é que algumas situações, aqui na Terra, nos acontece para que a gente cresça, pra que nos tornemos melhores. Então, por vezes, você olha e enxerga em alguém algo que ninguém a sua volta enxerga, o seu olhar se lança e num misticismo barato você encontra uma luz brilhando, num corpo que a maioria diz enxergar as trevas. O breu daquele corpo, também, te parece existente, mas uma luz brilha e você, constrangido em sua própria capacidade, se pergunta: Se aquele olhar me faz existir e se eu o faço existir, eu, então, estou criando alguém que não existe? - Assim, o que sobra é fechar os olhos, pois embora o olhar seja especial, por fazer os demais existir de imediato, o Pequeno Príncipe nos ensinou que "É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."

feat.  Antoine de Saint-Exupéry - O Pequeno Príncipe.

terça-feira, 10 de março de 2015

Ela é bonita demais...

Eu assisti a um filme e, às vezes, esta frase me volta a mente: A beleza é uma prisão! - dita pela atriz Aline Moraes em O Homem do Futuro...
O sorriso mais sincero, com o brilho mais bonito. Não era só o cabelo perfeito que ela carregava no alto da cabeça e que emoldurava bem o quadro ao qual se transformara seu rosto. Não! Não era isso. Os olhos nem eram claros, mas tinham vida. A sua beleza, talvez, nem fosse de capa de revista, mas era especial!
Ela descia a rua e todos e todas não deixavam de olhar. Os quadris diziam 'olá'. Não eram sensuais, eram especiais! Ela tinha no rosto o magnetismo da lua. E todos  a olhavam. Todos queriam estar perto! Todos a elogiavam: - Como você é linda! - E ela com um sorriso de canto de boca se queixava.
Ainda solteira, pouco cortejada. Quando cortejada, ninguém a levava a sério. Então, um dia entendeu: temiam que sua beleza noutra época se tornasse um problema! E aflita, ela pensava solitária que não queria disputar, apenas viver o seu amor.
Ainda no último ano da faculdade, os professores não a levavam a sério! Afinal, linda demais pra ter potencial... mas, ela desceu as escadas íngremes segurando suas pastas e passou na secretaria pedindo a confecção de seu diploma, acertando a esperança de que provaria sua qualificação num futuro próximo, ao trabalhar.
Subiu as escadas com o peito num aperto só. Mas, uma paz invadiu seu mundo quando disseram sim ao seu currículo. Ela se manteve firme diante os seus primeiros dias, enquanto a gerente da repartição passava as informações de trabalho com uma voz de professora do primário, utilizando intercaladas piadas de sua inteligência. Ela era bonita demais pra ser inteligente. Mas, conseguiu, com seu esforço, uma promoção. No escritório diziam em forte tom de ironia: - Ela é bonita demais pra ficar num cargo baixo!
A vida a ela parecia se resumir a isso: - Ela é bonita demais pra eu levar a sério. - Ela é bonita demais pra ser divertida. - Ela é bonita demais pra querer a minha companhia. - Ela é bonita demais pra cometer erros...
No reflexo do espelho do elevador do seu prédio, ela, que é bonita demais pra ser feliz, percebeu que a vida era rodiada de pessoas que a admiravam apenas superficialmente. Ela tinha pessoas a sua volta que queriam apenas um espaço dentro do brilho que a envolvia. Ela era bonita demais pra prestarem atenção no que tinha a oferecer... percebeu?! A beleza é sim uma prisão!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Mulher Zumbi

Na unha do dedão, o esmalte estava descascado, mal dava pra saber qual era a cor real das remanescências daquele esmalte. Com os olhos fixos na TV, não assistia a nada. A luz clareava o seu rosto e tornava o entorno um breu. A pele pálida, os cabelos desgrenhados colados no rosto molhado. Ela estava morta!
O coração ainda batia, ainda respirava profundamente, o cérebro ainda funcionava com saúde, ela sentia a água, que acabara de jogar no rosto, acariciar sua pele e respingar no queixo, sentia uma dor suportável ao arrancar com a unha uma pele morta no dedão... mas, não tinha mais jeito, morrera quando deixou a vontade de existir.
Deixou de existir, talvez! Deixou de existir, porque já não sentia emoções. A vida se tornou um ir e vir, apenas. O beijo no encontro da noite passada foi idêntico aos beijos dos cinco encontros anteriores - isso mesmo! Já era mais de seis encontros frustrantes em um ano - o beijo, pra quem se interessa em saber, não tinha sabor, não era nem seco, nem molhado. O beijo era técnico. Ela era atriz de um seriado com baixo orçamento. Talvez, um seriado em que um zumbi era destruido por homens que ainda viviam, homens que sentiam desejos, raiva, amor (Eros) e ódio. Destruida! Apenas sua alma sentia, o amor (Ágape). O corpo, agora, era só um boneco de marionete: sem desejos, sem raiva, sem amor (Eros) e sem ódio... 
Cortada pela luz da TV, olhou a unha do dedão de esmalte descascando. Fez com a mão como a Lady Gaga faz em seu sinal e percebeu que podia gravar Thriller do Micheal, se tivesse nascido alguns anos antes. Nisso, gargalhou. Estava morta! Mas, amava sua própria companhia!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cansado, não desistente




Embora as pálpebras pesem e quase se fecham na busca de um descanso verdadeiro, ainda que ilusório em vida, confesso que o cansaço que irei falar nesse momento não é um cansaço físico. Eu sei que tem a coluna pinçada, a vista cançada, que pula sem parar, sei que tem a cara inchada, a olheira acentuada e uma vontade de se trancar num quarto que não passa. Mas, o cansaço é mental!
Cansado de fazer o mesmo caminho, dormir na mesma cama, cansado de não enxergar a vida mudar, pois as mudanças são um processo longo... Cansado de sentar à mesa e ouvir gente falando da vida alheia, de servir um copo de uma bebida qualquer, enquanto alguém que espera fala mal da festa. Cansado de olhar a linha do horizonte em busca de calmaria. Cansado das piadas repetitivas, das notícias sensacionalistas, da falta de sabedoria. De intolerância, violência gratuita, de olhares vazios, de preocupações banais, cansado de fazer e de trabalhar em prol das pessoas e ver cada dia mais o mundo desandar. Cansado do sol cada vez mais quente, também. De mim...
Mas, como eu sempre digo: Cansado, NÃO desistente! Mais ou menos como diria o Julius, de TODO MUNDO ODEIA O CHRIS: Imagina se minha mãe desiste do meu pai ou ele dela, eu não teria nascido. E se Alexander Fleming limpasse o laboratório e desistisse de todo o trabalho que havia esquecido ali durante as férias? Eu poderia ter morrido pelo menos umas cinco vezes sem a bendita penicilina. E se todos os professores desistissem de suas carreiras? Se o médico, que fez meu parto, desistisse de tentar me pôr pra fora, já que o parto foi complicado? E se a Gisele Bunchen desistisse de ser bonita?
Pois é, casamento cansa, encontrar o laboratório desorganizado e fora do esperado cansa, dar aula cansa, ter uma criança presa no tubo vaginal sem conseguir tirá-la dali num parto normal cansa, enfim, ser lindo cansa! Mas mesmo cansados, eles não desistiram. E isso influenciou na minha vida! Assim, com certeza, em tudo que faço, sei que influencio em outras vidas, logo, estou aqui apenas dando satisfação ao Universo: Eu estou exausto! Mas, não tem um pingo sequer de vontade de desistir. Nasci pra prosseguir sempre.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Amores

Quando o amor acaba?! Veja isto primeiro: Os gregos dizem assim: Eros para definir o amor carnal, o desejo, a conquista, enfim, o companheirismo, a completude e a confidencialidade. Filia para definir o amor fraternal, por amigos, por pais e irmãos. E Ágape o amor divino, a mais pura expressão de amor, o fluxo constante de energia que movimenta o universo. Fica fácil perceber, que o amor nunca acaba! Ora, se acaba o tesão,  Eros vira Filia. Se a distância toma conta do indivíduo em relação a outro, Ágape toma a vez. Mais: O amor quase nunca, senão nunca, vira ódio. Aquilo que chamam de ódio depois que Eros acaba é só orgulho ferido, é tesão em desespero, na verdade!

A resposta, então, acho que fica clara: O amor não, necessariamente, acaba. O que acaba é o tesão. E sem tesão, não dá! Essa sensação efêmera a qual doaríamos riquezas para satisfazê-la, essa sensação efêmera que temos diante um prato de comida, diante um diamante, um smarthphone, um corpo nu, uma ideia, um sonho ou mesmo alguém que passa na rua sem, sequer, nos olhar. Enfim, essa sensação efêmera é que movimenta o mundo!

É o tesão de alguém por alguém que gera uma criança. É o tesão de um artista em criar, que gera novas opiniões a respeito do mundo que nos rodeia. O tesão de um pensador em pensar, é que gera teorias, que geram soluções, que geram harmonia, que gera vida...

Portanto, penso que o amor, nos três sentidos gregos, é sagrado. Enquanto o tesão, tem um quê de pecado (É! É uma alusão à música Meu Bem Querer). Pois, o tesão é animalesco. Os desejos inerentes ao Homem e os desejos subjetivos que temos, embora muitas vezes tenha um fim divino, é uma energia animal, que, também, não deixa de ser divina, pois o tesão é que aqui na Terra, pelo menos, faz o Homem cumprir as vontades do cosmos.