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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mosquitismo


Vingativa como era, jamais deixaria passar em branco o desaforo. Sentia-se humilhada, mas não estava para vítima.
Havia acordado num pulo após sonhar que se vingava dando a a outra face da mesma moeda. Agora estava disposta a por a prova o sonho.
Como uma mosca, mirava no nada e esfregava as mãos, planejando cada passo e reação que teria caso alguma coisa desse errado...
Agora já estava tudo mosquiticamente  definido.
Com os olhos brilhando de raiva, recordou-se de cada momento daquela situação que tanto lhe causara desgosto. O amargor da boca não cessaria enquanto ela não colocasse fim àquilo. Porém junto às lembranças ruins, veio também a certeza da decepção... Gostava demais pra vingar-se... Desmosquitou-se.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Cap. 09: Obrigado pelo chopp



Era quarta-feira, muita coisa ainda ia acontecer, mesmo que no dia seguinte todos tivessem de trabalhar. Num bar da esquina do prédio, o qual nem nome tinha, estávamos tentando esquecer nossos problemas. Ah, sim! Se eu não disser quem 'estávamos', ninguém vai adivinhar. Cagando para as técnicas coesivas: Estávamos eu, Felipa, Armani-nerd, Fael, Ricardo e, óbvio, Lady Lovet. Importante ressaltar que Armani-nerd sempre estava trocando de namorado, infelizmente, ele confiava demais nos homens que o abordava, começava rápido demais algo que iria degringolar e, por fim, acabava o que mal começara.
Em meio toda aquela loucura, em certa etapa da noite, Felipa arrumou seu cabelo chanel com o dedo indicador e depois disse que achava possível ela virar todo seu caneco de 600ml de chopp antes de todo mundo. Fael riu, chorou de rir e limpou o rosto molhado pela gargalhada, dizendo que Felipa mal conseguia virar uma tequila pela metade. Assim, Armani-Nerd se gabou de sempre fazer isso na adolescência, Ricardo zombou dos três dizendo que eram imbecis de sugerir isso enquanto ele estava na mesa. E eu, claro, comentei:
- Vamos virar o que temos no copo e pedir mais uma rodada. O desafio está lançado.
- Que comecem os jogos – Concluiu, como não poderia deixar de ser, Armani-Nerd.




Embora todos, ali, estivessem rindo. Embora todos ostentassem uma falsa felicidade. As coisas não iam bem pra ninguém. Naquela mesa de um boteco sem nome, cinco pessoas estavam destruídas, cinco pessoas estavam desmotivadas e cinco pessoas arrumaram um pretexto para tentar se envaidecer. Assim, todos nós merecíamos ganhar a disputa de vira-vira para que as dores na alma fossem massageadas por uma posição hierárquica social, que fora criada naquele instante.




POR QUE RICARDO MERECIA ESSA PATENTE?
O bar era na esquina próxima ao apartamento em que morávamos eu, Felipa e Armani-Nerd. Felipa, mandou mensagem dizendo que ficaria direto, lá em baixo, nos esperando. Enquanto eu preferi passar no apartamento para me arrumar. Armani-Nerd estava lá.
Sentei no sofá ao lado de Armani-Nerd, ele vestia uma samba-canção do Homem-de-Ferro, estava sem camisa e jogava no Nintendo velho que mantínhamos na sala. Eu sentei ao seu lado esboçando puxar um papo. Mas, algo estava diferente nele, os óculos um pouco tortos, os olhos brilhando e um meio sorriso no rosto... os mamilos rosados, a pele em tom uniforme e as coxas jogadas sobre o sofá... naquele instante me perdi olhando pra ele. Foi quando Armani-Nerd me olhou curioso, eu, absorto em meus pensamentos luxuriosos, retribuí o olhar. Quando num surto a porta se abriu e Ricardo ficou nos olhando. Naturalmente, a cena, talvez, nem fosse tão comprometedora, mas nós ficamos constrangidos. E Ricardo, em silêncio passou para a cozinha. Armani-Nerd o seguiu e eu fui me arrumar. Por isso, por ter encontrado o cara-que-seu-atual-namorado já gostou e seu-atual-namorado num momento, no mínimo curioso, é que Ricardo merecia a patente maior dessa hierarquia social que criamos.


POR QUE FELIPA MERECÍA ESSA PATENTE?

Felipa foi a primeira a chegar no bar, como eu já disse, ela havia avisado. Depois de ter deixado a cena constrangedora envolvendo Armani-Nerd e Ricardo, eu decidi ir para o bar. Porém, pouco antes disso algo chato me aconteceu. Assim, cheguei ao bar um pouco perplexo, não consigo dizer se o que eu sentia era tristeza, mas um nó no meio do meu peito eu tenho certeza que tinha. Acredito que o fluxo de energia se estabilizou ali. Sentei ao lado de Felipa, enquanto pedia um copo para o garçom. Ela estava no celular, quando olhou para o meu rosto perguntou:
- Tudo bem? - Senti carinho vindo de sua voz, enquanto repousava o celular sobre o colo. Tentei dizer algo, mas não consegui. Assim, por pelo menos três minutos incessantes Felipa se pôs a falar do que conhecia sobre minha personalidade. Ela rasgou elogios pelo meu idealismo e sustentou torcer por mim, pois me achava um cara bom demais para estar sozinho.
Depois desse longo discurso motivador, que não desatou os nós no meu peito, mas que ao menos me fez enxergar a vida com uma perspectiva mais otimista, Felipa olhou novamente ao celular. Pousou a mão sobre a boca e então disse: Lembra do Matheus? Eu estava tentando acertar as coisas com ele, depois de um ano sem vê-lo, mas acabei me perdendo no assunto contigo e o deixei aqui. Ele disse que não merece ser ignorado numa conversa tão importante, mandou beijos e não está mais online.
E por isso, Felipa merecia ganhar estar no cume dessa hierarquia social que criamos.



POR QUE FAEL MERECÍA ESSA PATENTE?
Depois de alguns meses sem Fael dar pinta com a gente, ele finalmente marcou um encontro com Armani-Nerd, seu primo, para contar algo e pedir para que isso fosse repassado para mim e Felipa. Eles se encontraram na manhã daquela quarta-feira.
Acontece, que o coroa que Fael havia, praticamente, se casado. Foi tratado durante meses como um rei. Fael já não saia mais conosco, já não ia mais as baladas, não fazia suas compras. Fael se tornou aquilo que ele sempre zombou. E depois de toda essa devoção a descoberta foi de atravessar o peito: O coroa esteve o traindo na última semana. E por isso, Fael merecia a patente mais alta daquela hierarquia de bar.



POR QUE ARMNI-NERD MERECÍA ESSA PATENTE?
No horário de almoço, fui até em casa. Armani-Nerd estava lá. Assim que me viu sorriu e disse que já tinha contado algo pra Felipa, concluindo que faltava contar algo a mim. Então, ele contou o que houve com Fael e depois usou isso como a justificativa para o encontro no bar, o qual estávamos disputando o vira-vira, que era para que Fael se sentisse um pouco melhor.
Após contar, Armani-Nerd esboçou dizer algo mais, hesitou e finalmente disse:
- Tem algo de errado comigo. - Mexeu nos óculos com charme.
- O quê? - Perguntei inocente.
- Não quero continuar com Ricardo. - Pausou, respirou fundo e inclinou sua cabeça em minha direção. Eu sucumbia ao beijo sem me dar conta. Até que senti a respiração ofegante muito próxima e me afastei. Um silêncio sepulcral e então eu disse:
- Só tenho pensado no Armani-Tatuado... Me desculpe! - Saí andando com pressa.
E é por isso que Armani-Nerd tinha direito aquela patente.



POR QUE EU MERECIA AQUELA PATENTE?
Após a conversa com Armani-Nerd, mandei uma mensagem ao Armani-Tatuado dizendo que eu o queria ver. Porém, só obtive a resposta ao fim da tarde. Depois que Ricardo nos surpreendeu no apartamento. Assim, desci triste para conversar com Felipa, que perdeu a chance de se reconciliar com um ex-namorado que tanto ama.
A resposta de Armani-Tatuado era subjetiva. Ele dizia: Muita coisa não importa mais...
Por tudo isso, eu merecia a patente daquela noite de quarta-feira.


QUEM GANHOU A PATENTE?
Eu estava tão triste que virei num gole só. Bati o caneco com força sobre a mesa e me levantei comemorando, gritei tão alto que todas as pessoas do bar me olharam, diante toda essa extravagância, eu tentei girar, no primeiro giro, ao me virar em direção à outra calçada me deparei com Armani-Tatuado carregando um sorriso sutil.

Atravessei a rua e tudo começou com uma torca de “oi”.

CONTINUA...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Cap. 08: Obrigado pela insistência.

Tenho a teoria que nossa vida acontece enquanto a gente come biscoito de água e sal, bebendo um café ralo e melado, ou seja, quando não estamos percebendo, ou tateando, as coisas. A exemplo: Quando estou vivendo a vida do meu alterego, a Lady Lovet, sempre encontro pessoas na rua, recebo ligações inesperadas com boas notícias. E, inclusive, quando sou eu mesmo, também, sinto as coisas acontecerem sem eu perceber. Afinal, passei por um corredor-polonês de Armanis, exceto o Armani-Nerd, os demais - até a chegada do Armani-Tatuado – me destruíram, levaram com eles um pouco do meu idealismo. E quando eu estava mais desmontado, assistindo as séries e promovendo eventos VIPs, em que eu era a única pessoa convidada, foi que numa tarde qualquer fui surpreendido pelo Armani-Tatuado. E fui surpreendido por ele quando me buscou pra jantar em meio a noite. Fui surpreendido por uma conversa agradável, por um olhar sombrio, mas confortável. Naquele dia, no Olho de vidro do Ciclope eu sabia que era o cara certo, só não sabia se daria certo.
Armani-Tatuado prosseguiu me encontrando. Em resumo:
1 -Nos encontramos, no Olho de vidro do Ciclope, no dia da herpes. Nos beijamos!
2- Nos encontramos, no dia seguinte, no café perto de onde trabalho. Ao fim da noite nos beijamos.
3- Nos encontramos, dois dias depois, na porta do cinema. Nos beijamos.
4- Nos encontramos, no dia seguinte, num jantar na casa dele. Quase transamos.
5- Nos encontramos, outra vez, no Olho de vidro do Ciclope. Ele me pediu em namoro.
Isso mesmo, sociedade! Ele me pediu em namoro no quinto encontro, cerca de uma semana saindo juntos. Apavorado eu tentei dizer algo, meus lábios se tremeram todO, fiquei um tanto quanto assustado, buscando um garçom para que eu pudesse colocar o pé pra ele cair e tirar a atenção de mim. Depois pensei em ter uma conversa séria a respeito do que ele estava me dizendo. Em seguida, pensei que minha testa estava suando e que isso poderia deixá-lo nervoso. Então, pensei nos blocos de anotações da minha mesa, eu não havia comprado os blocos azuis, sendo que, geralmente, só uso os blocos azuis, logo, com novos blocos, na cor amarela, eu poderia confundir anotações importantes. Ao fim desse fluxo de pensamento ele me cutucou no braço e eu disse:
- Desculpa se me desliguei por cinco minutos...
- Não, você não se desligou. Só te cutuquei, porque assim que falei você perdeu o olhar por um segundo – Disse ele com um tom de gargalhada charmoso enfeitando a fala.
- Desculpa! O que você disse mesmo. - Fiz a dissimulada!
- Você me ouviu bem, por favor. - Odeio homens firmes, me constrangem.
- Ah sim, pensa bem no que você está me falando, eu tenho uma pinta peluda nas costas que não alcanço pra depilar. - MEU DEUS!!! Eu disso isso.
- Eu depilo pra você – Respondeu Armani-Tatuado rindo. Que tipo de resposta é essa, gente?!
- Armani, me desculpa! Eu preciso entender o que está acontecendo. Se importa se eu for ao banheiro?
No reflexo do espelho, eu me deparei comigo mesmo. Depois de tantas porradas da vida, surgia entre a poeira alguém que poderia me fazer o bem, mesmo assim, algo me apavorava. Me lembrei de um micro-conto que escrevi há alguns anos num blog que tive. Ele dizia, mais ou menos, assim:
A garota alucinanda.
A garota alucinada se prendia em sua mente. A mente era onde ela devia buscar sua liberdade. Mas a garota alucinada acreditava, piamente, que tudo que ela sonhava um dia se concretizaria.
Certa vez, a garota alucinada sonhou com uma saia rodada de bolinhas. No dia seguinte, ganhou da mãe uma saia rodada de círculos pequenininhos. Não ficou satisfeita, eram círculos pequenininhos, não eram bolinhas como havia sonhado. Disse à mãe que não queria, enquanto ansiava pela realização do que sonhara.”

- Eu não tô preparado, agora, Armani.

O rosto um pouco frustrado, os ombros um pouco caídos e no olhar um brilho se apagava (queria usar a palavra ruborizar pra ser mais romântico nesse meu relato, mas ela não coube aqui. Então fica registrado: Ruborizar.)
Na minha mente, enquanto jogava num Nintendo velho no breu do apartamento, passava a pergunta como um letreiro luminoso: “O que é estar preparado?” - Armani-Tatuado tem bom papo, é atraente, sabe se comportar, tem caráter e é um homem bom, afinal, me ajudou na boate sem nem me conhecer. Estar preparado talvez transcenda a isso tudo. Acho que consigo enxergar, nessa posição que estou, que não existe estar preparado ou não. Não existe cara certo na hora errada. Quando a gente quer, a gente vai e faz. Quando a gente sente. A gente vai e fica. O celular vibrou sobre a mesa de centro:
Armani-Tatuado: Eu queria pedir desculpas. Entenda que não há nada de errado em estar na sua posição. Beijos!
O tempo passou bem lentamente. Não havia Armani na minha vida, exceto o Armani-nerd, esse acho que, talvez, seja, de fato, o Armani do Tarot, afinal, já nutro por ele um amor enorme que explode no peito. A relevância dele na minha vida é grande, é com ele que consigo me distrair, me divertir... não fosse ser só amizade, seria o homem da minha vida. Não lembro da marcação do tempo, mas depois que Armani-Tatuado mandou aquela mensagem ficamos algumas semanas sem nos vermos. Embora, eu tivesse o visto num café com um outro rapaz, também tatuado. Não sei exatamente o que senti, mas me abaixei e sai de fininho do café. Em seguida, o meu celular vibrou e lá estava:
Armani-Tatuado: HAHAHAHAHAHA Que cena ridícula, acabei de te ver saindo abaixado. Não nos quero constrangidos. Tenho saudades. Entendo seu lado, mas queria um café contigo, como amigos... beijos!
Não tente entender o porquê, pois nem eu entendo. Mas, digitei um texto assustadoramente enorme e apaguei. Pra mim, não fazia sentido tê-lo por perto, naquele momento eu estava certo que não queria contato. Cheguei em casa, liguei a TV, na mesa dois bilhetes:
1 - “Peguei licença e vou ficar três dias com a minha mãe. Bjs! Felipa.”
2 - “Ricardo me convidou pra casa de veraneio, a gente só tá ficando, mas curti a ideia. Não sei quando volto. Armani-(Nerd)”
Me joguei no sofá, olhei meu celular e não tinha nenhuma mensagem. A sensação que tenho é que fiquei naquela mesma posição por três dias, quando Felipa me acordou pela manhã perguntando se eu estava bem. Assustado, acordei pensando em Armani-Tatuado, olhei para Felipa e tomei café da manhã com ela. Conversamos sobre a viagem. Durante o papo meu coração parecia dar um nó, quando ela saiu da cozinha e foi para o quarto se organizar enviei uma mensagem ao Armani-Tatuado:

Aquele café ainda está de pé?”

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o espaço na mídia é quase zero. por isso, falamos aqui. estamos de olho!