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sábado, 30 de agosto de 2014

Ah, Saudade! Há Saudade.



(...)pra que a saudade que eu sinto se ela não me pertence?
Noite vaga, o seu vácuo absorve toda a cidade
Seu silêncio constante se estende pelas horas.
Na neblina que cobre seu rosto como um véu
Há saudade permeando toda a existencia do céu.
Noite vazia, vazia do silencio vago do espaço sideral?
Ou da a ausência dos significados?
O que não vejo no seu breu procuro na luz do olhar
Com a certeza clara de que na noite seguinte iluminarei a estrada.
E a escuridão não me cegará outra vez, não me cegará!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Crise

A vida é rebuscada de pequenas nuances que me transformam, ou me aprisionam ainda mais. A escolha de palavras sutis em momentos que pedem palavras que modifiquem o mundo, por exemplo, pode me aprisionar na dor que a dissimulação provoca.
Entenda bem, às vezes, por egoísmo, me encontro aprofundado numa casca de proteção, algo que me envolve de uma forma ficcional, pois no fundo sei que a verdade sobre mim outrora fora revelada pelos meus gestos, pelo meu paladar, pelo subtexto dos meus discursos e, até mesmo, pela minha própria alma. Mas ainda assim, prefiro, tragicamente, usar a casca. Fazendo como no filme "O Paizão", colocando os óculos escuros na esperança tola de que me torno, assim, invisível.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Judas




Ele foi o escolhido a comer no prato do traído,
Escolhido a ser um mito selando a história com um beijo.
Não fosse o traidor cometer esse falso pecado,
Não seria correspondido o desejo do crucificado.
Aquele que entrega seu legado em prol da humanidade
Tem o mesmo mérito, pois será um eterno culpado.
Mas, quando a luz chegar ao ápice e formar seu império,
Então, todo olho verá: não há nada de errado! É belo...

domingo, 3 de agosto de 2014

Verdade ou Consequência?

Você atravessa o meu corpo, mas, ainda não sei se é para tocar todo o meu interior, ou se é porque você não consegue suportar o que eu tenho a oferecer. Será que você mentiu olhando em meus olhos? Quantas vezes será que isso aconteceu? Eu sinto uma dor incrível pensando no quanto deve ter sido difícil pra você mentir pra mim. Imagino o quanto deve ter doído em você ao olhar as minhas pupilas dilatando e quando quase num estouro ter de dizer coisas que não eram tão verdade, nem de tudo mentira.
Você articulou bem as palavras, você me deu um chão de areia movediça, um céu de lápis de cor, um Romance ruim, que não passava de uma Fábula. E eu vi tudo com beleza!
Eu tenho uma vida pela frente, mas não me canso de olhar seus olhos profundos, essas armadilhas, que como um defunto me lança esse olhar morto. Eu ainda não entendo como fico preso em seu tempo, quando na verdade eu já visitei o futuro e vi o que vi. Eu acerto os ponteiros, mas volto a fingir que acredito que temos algo. Apenas, porque a sua mentira é como uma Fábula ruim, em que sabemos que não há nada de real, ali. Em que sabemos que vai acabar, mas, ainda assim, fingimos nos deliciar com tudo...

quinta-feira, 24 de julho de 2014



Não, não! Você parece mesmo não ser o meu sol. Às vezes, é como se você fosse só um dia. Como se você fosse só o espectro solar, que se esconde detrás das montanhas ao anoitecer.
Quando o dia vai, parece que você se vai com ele. Quando a noite cai, parece que tudo o que você diz cai com ela. E a escuridão que me habita só se esvai com as chamas tímidas de algumas velas.
Aliás, às vezes, você sequer parece ser pra mim um raio de sol. Não sinto seu calor mesmo quando ilumina o dia. Você me ilumina sem me aquecer, você me ilumina sem me nutrir.
Não, não! Definitivamente, não posso metaforizar sua existência usando o deus Rá. Pois, você é apenas um espectro, que ilumina, que me cega, mas que quando eu abraço eu não sinto. Pois sua luz, como uma ilusão, corre pelo meu dia e morre ao pôr-do-sol. Sem me reger. Sem me alinhar. Sem mudar os meus dias, nem mesmo mentindo, assim como mentem os jornais no horóscopo da seção variedades...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Diamante ou Dinamite?



E esse diamante brilhando sob a sujeira?
Não consigo apurar seu real valor
Ainda não sei se é uma pedra cara, ou rara.

Pedra arranhada, que fazes caída e desamparada?
Seu brilho intermitente, adverte sua partida,
Sua alucinação demente a mantém sempre empoeirada...

Ainda não sei
Se no meio do caminho havia uma pedra,
Uma perda, ou se havia um diamante.

Mas, algo ali brilhava e anunciava um instante
Talvez o brilho fosse o pavio aceso de uma dinamite,
Talvez a fosse reflexo do sol num caco de vidro,
Talvez fosse um brilho híbrido sob a sujeira...

domingo, 6 de julho de 2014

Carma



Algumas pessoas em rodas de boteco, enquanto tomam cerveja barata e comem ovos de codorna coloridos, costumam dizer que tem o dedo podre pra escolher suas paixões. Dizem isso como se a paixão realmente fosse escolhida. Assumem o risco de responsabilizar-se por algo que a energia que move o universo e nos move é que na verdade se responsabiliza. Falam sobre dedo podre como se a gente escolhesse ser arrebatado, como se a gente escolhesse sentir uma pressão no peito, uma ansiedade catastrófica, dúvidas intrigantes, paralisia facial, como se a gente escolhesse entrar em estado vegetativo num quarto escuro ao som de Celine Dion, Thiaguinho e Fagner. Não! Não temos o dedo podre, temos um Carma.