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LEMBRANDO: O PREÇO É DE CAPA COM A COMODIDADE DE ENTREGA EM SUA CASA.

sábado, 25 de abril de 2015

A vida é um peido


Um mosquito da dengue que mirou no braço de pelos loiros, acabou pousando foi numa senhora que vinha logo atrás (dizem que essa senhora morreu na semana seguinte.).
Depois, o salto agarrou num paralelpípedo no meio da rua, ela coçou os pelos loiros com nervosismo, depois, sem graça se abaixou para desagarrar seu salto, enquanto pensava no ódio que tinha da prefeitura, ora, afinal, pra que manter as características históricas, passou da hora de asfaltar essa porra! Quando acabou de desagarrar o salto, deu um salto para trás num reflexo de seu susto. Andaimes de construção vieram ao chão...
Ela, então, começou a dobrar sua atenção na sua caminhada. Foi o caminho todo pela calçada, só entrou no elevador do prédio quando pôde entrar sozinha. Trabalhou olhando pela janela, vai que um avião terrorista se joga ali. Desceu pelas escadas para evitar o elevador, ao fim do dia.
Enquanto passava em frente a Starbucks pensou em entrar e pedir 500ml de café, mas depois pensou que poderia se contaminar com algo, ou um funcionário psicótico poderia envenenar seu café por ódio da empresa. Esse pensamento fugaz a fez rir alto na rua, mas quando pousou um salto do scarpin vermelho fora da calçada, outro pensamento lhe veio: "500ml de café pode me causar um aneurisma, ou um taquicardia, pior, já não faço exames há meses, pode me causar um infarto!" - Assim, dessitiu da idéia e seguiu para casa.
Na rua de sua casa sentiu uma segurança enorme. Já se sentia segura pelas grades, paredes e trancas, já se sentia viva, em paz. Nenhum mal poderia mais atingí-la naquele lugar. Até que notou que alguns carros estavam estacionados na calçada, ela teria de passar no canto da rua, obviamente, enxergou um perigo nisso, afinal, estava assustada com o acaso da vida, desde os andaimes. Num impulso, atravessou a rua com cuidado e seguiu seu caminho sobre a outra calçada. Segura de si, ostentava sua beleza sobre saltos altos, emoldurada por um vestido elegante e intensificada por um batom rosa salmon. Olhou para seu colo procurando ajeitar seu colar que embolara, suas passadas diminuiram. Ela sentiu uma vontade enorma de soltar um pum, quando olhou para traz, para conferir se alguém ouviria, um carro que corria muito, perdeu a direção, saiu do caminho pretendido e foi a caminho dela, que durante todo aquele dia temeu a morte. Os médicos dizem que ela morreu na hora. Já que ela estava olhando pra traz, querendo soltar um peidinho singelo, morreu sem perceber. Será que foi melhor pra ela?!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Domínio da Vida

Eu aprendi com o tempo que temos que nos focar. Isso mesmo! - Nunca foi e jamais será a minha pretenção em qualquer texto impor meus pensamentos. - Mas, aprendi experimentando. Sempre funcionou facilmente pra mim. Eu olhava para um objetivo e lutava contra mim mesmo para alcança-lo. Ou seja, eu era otimista sempre que as coisas desandavam. Eu sonhava e tinha certeza, mesmo que a multidão risse por trás. Sempre soube que um dia aconteceria. De fato, tudo que foquei, alcancei! Então, esse aprendizado é inegável. Eu aprendi a manipular a mim mesmo em prol do que eu sabia que precisava. O universo sentia a firmeza dos meus desejos e assim ladrilhava minha estrada de tijolos amarelos a caminho de uma cidade de O.Z., que eu precisava.
Agora, quando olho pro quarto na penumbra, quando vejo a sombra bater sobre minhas conquistas, quando vejo meus brinquedos jogados pelo chão, as revistas não lidas se misturarem aos livros pela metade, a caneca vazia jogada sobre um puff, as moedas, os óculos, canetas, papeis... Ou quando sinto o cheiro de cigarro se misturar ao Gabriela Sabatini falsificado, os sorrisos anestesiados pela bebida barata se inundarem em beijos vazios, a fumaça cobrindo os rostos destruidos entre as luzes da boate... Eu consigo compreender, não é só o quarto que anda uma bagunça, a vida está de pernas pro ar.
Nos últimos quatro meses, eu mudei de opinião, talvez, mais de oito vezes. Eu pensei em desistir de várias coisas, inclusive, desisti de coisas que nem comecei. Tentei começar coisas que nunca sonhei. Comecei a sonhar com coisas que nunca desejei. Fui de mesquinho à agente social em algumas horas. Eu fui o amanhã e o agora...
O universo não é burro, até sabe do que eu preciso. Mas, ele também, não vai se mover por energias fragmentadas, não vai mover em prol daquilo que quero pela metade. O quarto tá bagunçado, o cabelo desarrumado, a vida de pernas pro ar, tem uma bagunça na espinha dorsal, ninguém entra e ninguém sai do coração, que tem mantido pessoas de refém, talvez só por orgulho, e tem impedido pessoas que poderiam organizar a coisa toda de entrar, por vergonha de expôr a bagunça que existe! Mas, eu sei que não há culpados, não tem essa de caminho amarrado, macumba da boa, zica ou castigo dos deuses. Tem que eu mesmo que joguei tudo pro alto, quando tive medo da responsabilidade! Eu estava como o eu-cancional de 'Cowboy fora da lei', do saudoso Raul, achando melhor não ser besta pra tirar onda de héroi. Eu confesso e entendo - afinal, por diversas vezes, escrevo pra me compreender - entendo que baguncei tudo, porque estava com o mesmo medo desse eu-cancional, medo de morrer dependurado numa cruz.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Contraste


Havia acabado de acordar e pegou-se novamente em frente ao espelho, tamborilando com os dedos sobre a pia enquanto observava, aborrecido, seu rosto inchado e vermelho por causa da acne.

Parece que não poderia mais dormir, pois a cada cochilo nascia uma nova espinha.
A do cochilo de hoje a tarde, estava bem no meio da bochecha direita e esta era tão grande, que podia ser vista até quando ele apenas baixava os olhos.
Justo hoje... No dia do seu décimo quinto aniversário!
Seus parentes com certeza pediriam algumas fotos durante a festa surpresa que, provavelmente, estavam organizando e - Ah! Como odeio fotos! O flash sempre piora tudo! - ele realmente odiava fotos.
Lembrou-se que sua amiga havia lhe aconselhado a testar um pó... Essas coisas de maquiagem... Não entendia muito bem, mas foi até o guarda-roupas de sua mãe e pegou uma bolsinha onde ela guardava esse tipo de coisa.
Começou a procurar, apressado, alguma coisa que pudesse ser o tal pó milagroso.
Achou um potinho! Quase do tamanho de uma moeda, com uma coisinha rosada em seu interior.
Espertíssimo como era, pensou que, obviamente, aquele seria o pó.
Começou a aplicar. Mais um pouquinho... Só mais um pouquinho... Mais um pouco e pronto! Piorou!
Lembrou-se, com raiva da amiga - Ela só pode estar louca! Dizer que isso ia me ajudar? Estou parecendo um palhaço! - Com mais uns segundos esbravejando, lembrou-se da explicação que ouviu: (...) Ai você passa no rosto e pronto!
Ah! Era óbvio! Ele havia feito errado! Passou apenas na espinha... Claro que ficaria diferente do resto da pele!
Começou a passar onde faltava e nossa... Quando terminou... A raiva que sentia da amiga desapareceu, tamanha raiva que sentiu de si mesmo e do potinho! Estava parecendo um romã!
Lavava desesperadamente o rosto, mas aquela coisa parecia tatuagem! Sem pensar em nada, desceu, apavorado, até a cozinha para pedir socorro à sua mãe e lá encontrou sua família inteira em volta da mesa pronta para surpreendê-lo: PARABÉ...
Silêncio.
E de repente uma explosão de risos... Dentre estes, o dele... Mas ria por estar nervoso e muitíssimo envergonhado. Provavelmente, a cor que estava por baixo da fina camada de pó cor-de-rosa, era exatamente da cor do pó.
Sua mãe, que também ria devido ao nervosismo, se aproximou e foi com o filho até a sala, para tentar entender o que havia acontecido e, depois de tudo explicado, os dois subiram.
Ela lhe deu um pacote de algodão e uma garrafinha, "Loção Demaquilante". E, ainda rindo, agora por achar graça, lhe trouxe o pó certo...
Ele então, ainda sem graça, começou a passar o algodão com a tal loção no rosto... Quando chegou na metade, levantou a cabeça e viu, pelo espelho, o contraste entre os tons da sua pele e os tons do pó cor-de-rosa. Assustado, reparou que seu rosto já não lhe parecia tão estranho e chamativo. Prosseguiu removendo a maquiagem das partes que faltavam e quando acabou... Nossa! Sua pele estava ótima!
Provavelmente, sua mãe estava enganada quando disse que ele havia errado. Ele usou o produto certo desde o início!
Pegou o celular, animado, e mandou uma mensagem para a amiga que o havia aconselhado:
"Oi! Usei o pó que me disse e, realmente, me ajudou muito! E olha que não passei nem cinco minutos com ele e minha pele está ótima! Minha mãe disse que usei o pó errado... Disse alguma coisa de sombra, mas apliquei com as luzes do banheiro todas acesas... Coitada! Acho que ela não entende muito sobre maquiagem..."
por JADE CANGUSSU

sábado, 18 de abril de 2015

A volta de um Jesus fashion


Acho que esse cara pensou que fosse quase paixão, afinal, para ele que costumava confundir as queimaduras do pão com meleca e, por isso, não comia, era válido pensar que qualquer coisa fosse paixão. Mas, acredito que foi um encanto, embora, nem ele soubesse definir direito. Estava num ritmo adolescente, parecia, até aquele momento, que tudo era incomum, que era novo, que dessa vez, talvez, só dessa vez, não fosse como todas as outras vezes. Mas, alguma coisa aconteceu.
O sujeito tinha costume de enfiar o pelo da barba no vão que há entre a unha e a carne do dedo. E dessa forma esteve, enquanto encarava uma tela branca no computador. A respiração desacelerou, os pensamentos desaceleraram, os instintos desaceleraram, desacelerou, também, uma vontade inerente que, há pouco, o tomara. Enquanto sentia o pelo da barba se espremer naquele vão, sentia também o coração bater num ritmo lento. Uma cortina de fumaça se abriu diante dos seus olhos. E num arrepio quase místico ouviu:
- Que porra é essa, irmão? - Ele não precisou responder em voz alta. Ele não precisou perguntar quem está aí. Era evidente que era a sua voz interior, era evidente qual era a resposta da pergunta que o tomara. Afinal, o riso sarcástico da sua voz interior nunca o enganara...
Tirou o pelo grosso da barba do vão mencionado. Piscou os olhos com pressa buscando um foco. Focalizou o que o futuro guardava. E no fundo da sua alma, com uma melancolia que não doia, sentiu que aquilo que parecia ser diferente de tudo, era tão comum quanto o restante. E essa mesma melancolia embalara a realidade que já conhecia sobre si, nunca mais teria aquilo que nos anos passados sonhou.
Boom! Um estouro na mente, no peito e na alma, parece que o mestre retornou ao interior!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Game


Eu nunca gostei de jogar Paciência. Sou da época em que ter computador em casa era ter luxo, que internet era mais luxo ainda, inclusive, os jogos de computadores eram muito mais valorizados do que a internet. E eu odiava Paciência... mas, aprendi a jogar!
Eu escrevo, escrevo o tempo todo, o bloco de notas do meu celular tem mais textos iniciados, terminados ou fragmentados do que os processos jurídicos. Por isso, por escrever tanto, deixo claro muitos sentimentos - e nem digo aos outros, digo, a mim mesmo - esses sentimentos que pulsam, aceleram-se, perdem-se e reencontram-se à medida que o Planeta Terra gira. 
A Paciência pode acabar com noites curtas que poderiam ser atravessadas aos bocejos. A Paciência acaba com mensagens trocadas que esclareceriam tudo. Essa coisa de gostar com paciência a gente aprende, assim como a gente aprende a jogar Paciência. Mas, o que eu, realmente, quero, o que eu, realmente, necessito, é de uma presença tão precisa quanto um cocô de pombo que atinge uma cabeça. Eu gosto é de celulares desligados, relógios fora do alcance, um silêncio profundo com narizes colados, olhos vermelhos de sono com bocejos longos, mudanças de assunto e de posição à medida que a noite passa sem a compreensão exata se estamos vivendo uma noite, uma manhã ou uma tarde. É isso! É perder a noção do tempo como crianças...
Eu sei jogar Paciência, eu sei ter paciência. Mas, eu quero mesmo é jogar os papéis para o alto, borrar todos os documentos a minha volta, interromper conversas para te atender, falar contigo de hora em hora e sentir a sua presença tão firme em torno de mim como se realmente estivesse. Eu terei paciência. Mas, prefiro uma camisa de força!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Realce




A caminho de casa, depois de um dia exaustivo dando uma aula seguida da outra... Farta de tanto ouvir a própria voz repetindo exaustivamente a matéria, se viu pelo retrovisor do seu carro e teve que parar no acostamento por alguns instantes, porque não conseguiu entender se seu cabelo realmente tinha aquela forma esquisita, ou se o sacolejar do automóvel interferiu, negativamente, na forma como ela se enxergou.
Após parar o carro, deparou-se com aquela mulher cansada, acabada... Meu Deus! O que poderia justificar tanto tempo ter se passado para a aparência dela, enquanto na verdade haviam se passado apenas 42 anos desde que vira pela primeira vez o que estava do lado de fora de sua mãe? 
Mais cinco minutos e começou a sentir sede, afinal, havia ficado bastante tempo  com a boca entreaberta, tamanha surpresa que teve ao perceber que mesmo com o carro parado, ela continuava péssima. 
Resolveu que, enfim, investiria em si mesma. Virou a chave e se viu novamente tremelicando pelo retrovisor... Achou melhor parar de olhar. 
Dirigiu até a farmácia do bairro onde morava e comprou uns produtos, entre estes, uma caixa de tinta para os cabelos. Estava cansada daquele tom de nada... Tão comum... O cabelo "de sempre", com aquele corte também de lá... Que coisa horrível! Estava decidida a mudar!
Foi para casa. 
Tomou um copo d'água e um banho e depois, nua em frente ao espelho, viu, desta vez, uma mulher já não tão estranha e cansada... Desta vez estava apenas estranha. O banho e a decisão que tomara já haviam lhe dado uma expressão mais animadora. Como se houvesse visto, pela primeira vez, uma possível solução para o seu aparente desleixo e para sua cara de maluca.
Então, ofegante e com os olhos arregalados, começou a mudança.

A cor tomando conta do cabelo sem vida parecia algo assustador no começo, mas a cada mecha pintada ela se sentia mais ela! Era como se o cabelo dela sempre devesse ter nascido com aquela cor.
Chegou a conclusão de que era, obviamente, uma colorida que havia nascido com o cabelo

 errado!
Após lavar o cabelo, com pavor, viu aquela onda colorida descer de sua cabeça e tingir todo o chão do seu banheiro. O medo da hora da limpeza foi grande, mas não chegava nem perto de ser maior do que a sua curiosidade! 

Já em frente ao espelho, pegou-se com sede novamente... Mas dessa vez o motivo do choque era outro... Estava se sentindo espetacular! Mal podia esperar para ver a reação dos alunos... Dos colegas e da direção... Ah! A direção! O que será que diriam? Ela estava radiante!
Resolveu dormir para ver se o dia seguinte chegava mais rápido.
E chegou! 
Arrumou-se, animada, como se fosse seu primeiro dia de trabalho!
Na hora que chegou, logo ouviu o grito de uma aluna - Meu Deus! Olha a professora!!! - Seria um grito de deboche?
Logo sentiu a insegurança tentando voltar... Mas lembrou-se da mulher maravilhosa que vira na noite anterior no espelho do banheiro e que, hoje de manhã, voltou para lhe desejar sorte e paciência.
Quando entrou na escola, o silêncio foi mortal. Até que uma voz amiga quebrou aquele clima tenso - Gente! O que houve com o seu cabelo? - Mas a resposta não era óbvia? Então apenas sorriu...
por JADE CANGUSSU.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Monstro

O sorriso começou a ser triste, quando percebeu que só o otimismo não bastara. Os olhos, como um abismo, distorceram a realidade como um suicida enxerga a rua em vertigem. Era pesadelo o sonho que sonhara. Era insônia as noite que parecia adormecer. Era leito derradeiro as camas em que se deitou. Era fedor os cheiros que buscara em quem fingia que amou!
Enquanto embalava num rítmo de ninar todas as verdades que conhecia, não se dera conta, que adormecer a verdade, não a matava. Segurando as têmporas com a força de um urso, forçava o pensamento que deveria se aquietar. De onde se encontrava já não podia voltar.
E mesmo que ao ver a verdade adormecida, num ímpeto de insanidade, tentasse sufocá-la como um infanticída sufoca um bebê, não conseguiria. Pois a verdade que tentava ninar, no entanto, era a qual em busca de respostas o fazia adormecer.
Mas, ele olhou pra todos os lados, inclusive para dentro. Assim, se lembrou de quantas vezes sentiu essa dor. De arrancar a pele, como quem arranca um casaco, abrir a carne, como quem tira suas roupas ao final do dia, quebrar o esqueleto, como quem transcende... e, só então, está nu, suspenso pelo ar.