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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Mulher Zumbi

Na unha do dedão, o esmalte estava descascado, mal dava pra saber qual era a cor real das remanescências daquele esmalte. Com os olhos fixos na TV, não assistia a nada. A luz clareava o seu rosto e tornava o entorno um breu. A pele pálida, os cabelos desgrenhados colados no rosto molhado. Ela estava morta!
O coração ainda batia, ainda respirava profundamente, o cérebro ainda funcionava com saúde, ela sentia a água, que acabara de jogar no rosto, acariciar sua pele e respingar no queixo, sentia uma dor suportável ao arrancar com a unha uma pele morta no dedão... mas, não tinha mais jeito, morrera quando deixou a vontade de existir.
Deixou de existir, talvez! Deixou de existir, porque já não sentia emoções. A vida se tornou um ir e vir, apenas. O beijo no encontro da noite passada foi idêntico aos beijos dos cinco encontros anteriores - isso mesmo! Já era mais de seis encontros frustrantes em um ano - o beijo, pra quem se interessa em saber, não tinha sabor, não era nem seco, nem molhado. O beijo era técnico. Ela era atriz de um seriado com baixo orçamento. Talvez, um seriado em que um zumbi era destruido por homens que ainda viviam, homens que sentiam desejos, raiva, amor (Eros) e ódio. Destruida! Apenas sua alma sentia, o amor (Ágape). O corpo, agora, era só um boneco de marionete: sem desejos, sem raiva, sem amor (Eros) e sem ódio... 
Cortada pela luz da TV, olhou a unha do dedão de esmalte descascando. Fez com a mão como a Lady Gaga faz em seu sinal e percebeu que podia gravar Thriller do Micheal, se tivesse nascido alguns anos antes. Nisso, gargalhou. Estava morta! Mas, amava sua própria companhia!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cansado, não desistente




Embora as pálpebras pesem e quase se fecham na busca de um descanso verdadeiro, ainda que ilusório em vida, confesso que o cansaço que irei falar nesse momento não é um cansaço físico. Eu sei que tem a coluna pinçada, a vista cançada, que pula sem parar, sei que tem a cara inchada, a olheira acentuada e uma vontade de se trancar num quarto que não passa. Mas, o cansaço é mental!
Cansado de fazer o mesmo caminho, dormir na mesma cama, cansado de não enxergar a vida mudar, pois as mudanças são um processo longo... Cansado de sentar à mesa e ouvir gente falando da vida alheia, de servir um copo de uma bebida qualquer, enquanto alguém que espera fala mal da festa. Cansado de olhar a linha do horizonte em busca de calmaria. Cansado das piadas repetitivas, das notícias sensacionalistas, da falta de sabedoria. De intolerância, violência gratuita, de olhares vazios, de preocupações banais, cansado de fazer e de trabalhar em prol das pessoas e ver cada dia mais o mundo desandar. Cansado do sol cada vez mais quente, também. De mim...
Mas, como eu sempre digo: Cansado, NÃO desistente! Mais ou menos como diria o Julius, de TODO MUNDO ODEIA O CHRIS: Imagina se minha mãe desiste do meu pai ou ele dela, eu não teria nascido. E se Alexander Fleming limpasse o laboratório e desistisse de todo o trabalho que havia esquecido ali durante as férias? Eu poderia ter morrido pelo menos umas cinco vezes sem a bendita penicilina. E se todos os professores desistissem de suas carreiras? Se o médico, que fez meu parto, desistisse de tentar me pôr pra fora, já que o parto foi complicado? E se a Gisele Bunchen desistisse de ser bonita?
Pois é, casamento cansa, encontrar o laboratório desorganizado e fora do esperado cansa, dar aula cansa, ter uma criança presa no tubo vaginal sem conseguir tirá-la dali num parto normal cansa, enfim, ser lindo cansa! Mas mesmo cansados, eles não desistiram. E isso influenciou na minha vida! Assim, com certeza, em tudo que faço, sei que influencio em outras vidas, logo, estou aqui apenas dando satisfação ao Universo: Eu estou exausto! Mas, não tem um pingo sequer de vontade de desistir. Nasci pra prosseguir sempre.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Amores

Quando o amor acaba?! Veja isto primeiro: Os gregos dizem assim: Eros para definir o amor carnal, o desejo, a conquista, enfim, o companheirismo, a completude e a confidencialidade. Filia para definir o amor fraternal, por amigos, por pais e irmãos. E Ágape o amor divino, a mais pura expressão de amor, o fluxo constante de energia que movimenta o universo. Fica fácil perceber, que o amor nunca acaba! Ora, se acaba o tesão,  Eros vira Filia. Se a distância toma conta do indivíduo em relação a outro, Ágape toma a vez. Mais: O amor quase nunca, senão nunca, vira ódio. Aquilo que chamam de ódio depois que Eros acaba é só orgulho ferido, é tesão em desespero, na verdade!

A resposta, então, acho que fica clara: O amor não, necessariamente, acaba. O que acaba é o tesão. E sem tesão, não dá! Essa sensação efêmera a qual doaríamos riquezas para satisfazê-la, essa sensação efêmera que temos diante um prato de comida, diante um diamante, um smarthphone, um corpo nu, uma ideia, um sonho ou mesmo alguém que passa na rua sem, sequer, nos olhar. Enfim, essa sensação efêmera é que movimenta o mundo!

É o tesão de alguém por alguém que gera uma criança. É o tesão de um artista em criar, que gera novas opiniões a respeito do mundo que nos rodeia. O tesão de um pensador em pensar, é que gera teorias, que geram soluções, que geram harmonia, que gera vida...

Portanto, penso que o amor, nos três sentidos gregos, é sagrado. Enquanto o tesão, tem um quê de pecado (É! É uma alusão à música Meu Bem Querer). Pois, o tesão é animalesco. Os desejos inerentes ao Homem e os desejos subjetivos que temos, embora muitas vezes tenha um fim divino, é uma energia animal, que, também, não deixa de ser divina, pois o tesão é que aqui na Terra, pelo menos, faz o Homem cumprir as vontades do cosmos. 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Duas Vidas


Ela queria uma vida linda. Ele, meio malandro, só queria uma vida divertida. Ela, sempre se lamentava pela vida. Ele, até esbravejava contra Deus uma vez ou outra, mas amava a vida que tinha. Não que ela não amasse, mas se entediava, vivia outras vidas, se punha absorta dentro de si, fugindo descaradamente da vida que no fundo amava, mas não conseguia suportar por sentir antes de tudo um vazio inesplicável...
Por muitos tempo ele tomava o café da manhã mergulhando deliciosamente em sua vida. Ela afogava sua vida num desdém sem precedentes, enquanto bebia o café melado...
Ele dizia na mesa do café: - Você é a minha vida!
Ela respondia: - Você é a minha! - E pensava intimamente que a vida não era questão de escolha.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Somos todos trouxas



É normal ser trouxa. Tenho visto muitas pessoas vestindo a camisa de trouxa, tatuando trouxa na testa, no antebraço, na bunda... gente comprando chaveiro de trouxa, bottom de trouxa e levando um estilo de vida que denominam como Trouxacore. Entretanto, peço desculpas, mas ACHO que não precisa disso, dessa coisa de querer deixar claro o quanto se é trouxa. Somos todos trouxas. Isso mesmo! Um dia eu sou trouxa, noutro você, num dia a atendente da loja de suprimentos é a trouxa, no outro é o professor perante trinta alunos, num dia trinta alunos é que são trouxas na mão de um professor desmotivado, ainda, há aquele dia que você se sente trouxa pelo seu namorado, no outro ele é mais trouxa que o nerd que fazia suas atividades na escola, aquele nerd que agora te faz de trouxa, porque é seu chefe e gosta do cafézinho nem doce, nem amargo. Todos trouxas.
Eu sei que tem dias que ser trouxa soa um pouco divertido. A gente ri da nossa própria cara de trouxa, em contrapartida, eu sei que, às vezes, ser trouxa dói mais que ouvir que você não foi a melhor transa. Mas, entenda bem, ninguém disse que seria fácil viver, ninguém disse que aprender é sempre divertido, além disso, pior que sermos todos trouxas, é sermos todos humanos. E isso dói muito mais. Embora, talvez, eu considere a mesma coisa!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Supernova


Eu sou um monstro domado por mim. Eu sou a luva do cirurgião. Das relações de amor, eu sou só o tesão. Do olhar, apenas o brilho reflexivo. Eu sou o ritmo da batida do Carnaval. Enfim, eu não sou permanência, tampouco ausência. Eu sou como o brilho do sol, que modifica a Terra e a vida das pessoas, mas ninguém vê. Eu sou como um ET, que invade pessoas nas madrugadas, mas ninguém comenta. Sou como o magnetismo da lua, que influencia a vida, mas ninguém se importa. Enfim, eu sou na vida de qualquer pessoa, as partículas de uma estrela que à anos luz explodiu, eu sou Supernova...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Questão em Aberto

Sabe o que eu estou sentido? - Perguntou-se. Mas, não soube responder imediatamente. Procurou num buraco da alma ali, noutro buraco da alma aqui. Pensou em diversas palavras que definissem sua inércia sentimental. Quase sentiu raiva. Os olhos até ameaçaram encher d'água. Mas, não encheram, a raiva não veio. Não sentiu o coração acelerar, sequer se lembrava de como podia descrever a sensação de raiva.
Eu ainda sinto? - Tentou mudar a indagação. Mas, foi ineficaz. Queria saber de um sentimento específico? Ou estava confuso sobre toda a sua forma de sentir? Não havia mais aquela magia permanente, as coisas aconteciam como um deja-vu. Nada era novo! E como num relogio que girava até o doze e começava tudo de novo, observava como se estivesse de fora a sua vida acontecer. Afinal, ainda sentia?
O que é sentir? - Dessa vez, menos ainda soubera do que se tratava. Ele olhou com olhos de defunto. Um olhar que ninguém jamais vira, pois nem no espelho tivera coragem alguma vez de fitar-se assim. Mas, ele olhou com olhar de defunto para a cabeceira da cama. Mas, ali, já não havia a cabeceira da cama, já não havia as questões feitas a si mesmo, noutra dimensão buscava entender a questão principal: ...