quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mecanizando Sentimentos

A arte agora era tudo o que podia ser libertador! A arte agora é tudo o que não pode ser libertador, estamos presos à estilos, gêneros, métricas, materiais, histórias e costumes culturais. Grandes artístas agora eram grandes estudiosos e agora são artístas só os que estudaram. Artes, mais um luxo da burguesia. Sem escandalo nem lágrima, apenas aconselho e me despesso: - Adeus, poeta de bar! Leve contigo todos os seus amigos, os cantores que ninguém ouve, os atores que ninguém gosta, os pintores que ninguém vê, os dançarinos que ninguém entende e tantos outros. Entrem em um curso superior para aprenderem títulos bonitos para nomear aquilo que já sabem fazer, aprendão a limitar os sentimentos para nunca perderem o padrão, aprendão a padronizar e a entender - entender! - outro artista. E voltem robotizados criando uma arte lógica, então entenderão que agora a glória era ser artísta e não graduado, mestre ou doutor, e sentirão a delícia de se tornarem saudozistas do proprio coração!

H.D.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Humanismo Variável.

A vida em sociedade é incrível. Fantástica a forma com que alguns indivíduos se utilizam do emocional para criar uma atmosfera de bondade e de abrigo, quase nos faz acreditar na fraternidade instantânea. Os fatos são sequênciais: você vive sua vida simplesmente como você admira viver e enquanto você trabalha isso, com uma normalidade quase transcedental, existem pessoas observando isso com uma intensidade magnífica e surreal. E como se não bastasse observar, o indivíduo observador se utiliza de técnicas de baixo escalão para descobrir os seus passos que não puderam ser analisados pessoalmente. Em dada situação o interessante é parecer estúpido e utilizar a abilidade persuasiva que trabalha o emocinal alheio trazendo para cada indivíduo em questão, que não se ocupa em viver, um consentimento limitado do conhecimento das nossas vidas.
Existe o ponto obsessivo, chamado também de ponto de ebulição e em alguns dialetos é chamado de ponto de bosta, por motivos variáveis, isso é perseptível quando um indivíduo ultrapassa as barreiras de uma interpessoalidade técnica para obter a qualquer custo informações secretas ou de cunho pessoal, como preferir, simplesmente para sentir o prazer de dividir seu histórico com outros indivíduos não frequentantes do mesmo ambiente que te apetece. Logo, o título de obsessão.
Entre a sociedade esses indivíduos se nutrem através do prazer sombrio de construir suas histórias com base parcial ou total na história alheia, contudo, é claramente observável o vazio que os constói. Hai de nós, então, tentar destruí-los com a nossa persuasão e o nosso poder manipulatório sabendo que covardes estaríamos sendo defronte tanta estupidez humana!

Hugo Dalmon.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Janela Secreta

Abra suas janelas, eu sou o sol
Agora esquentando o seu lar
Cortando com carinho os seus vidros
Invadindo os cômodos em seu prol

Já fechei as portas de outro lugar
Pra sentir o cheiro dos seus quartos,
Invadir sua sala e servir o seu jantar

Parei de pensar em mil casas
Vou fechar as asas e pousar
Nos seus beirais de flores castas
Criar um ninho e para sempre morar

Então abra de vez suas janelas
Eu sou o sol nascendo em ti quando estais
Abra as janelas o ninho vai avançar além dos beirais.

Hugo Dalmon.

domingo, 25 de outubro de 2009

Inexorabilidade


Eu tenho certeza que me perdi
E isso não muda o que eu senti.
O que eu vejo distante agora
É um instante que me apavora.

Eu tenho certeza que eu senti
E isso não muda o que eu vivi.
O que eu vejo no instante agora
São momentos que vão embora.

É bem distante o que eu vi
E o que eu senti me apavora
Mas eu não quero ir embora.

Eu tenho certeza chegada a hora
Meu mundo vai notar que menti
Pra mim mesmo, só não percebi.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Brinquedo de Adulto


As vezes implico com o passado presente nas nossas vidas, mas é tão pequenino que quando você abre a porta da casa pra mim e eu tiro os sapatos e jogo num dos cantos é como se as pedras paracem de me incomodar. E eu olho seu rosto me enxo de plenitude, te pesso um abraço e sinto o seu cheiro me roubar a alma. Eu levito sem sair do lugar, me sinto livre enquanto você me prende em seus braços, aperta minha cintura pra eu quase sufocar, o toque leve, a mão serena sobre meu corpo me faz crescer e quando eu volto já não tem mais saida você abusou da minha vida. Foi entrando devagar, contando histórias tristes de um passado comum, trazendo pessoas que pra mim não existiam e deveriam ter ficado quietas no lugar. Você foi rude entrou no meu coração rasgando minha pele sem pedir ou ao menos informar que desta vez era pra ficar! Agora sou eu que estou perdido, como uma massa de modelar te deixo fazer me de brinquedo até me virar do avesso, mas me aguarde a minha vez ainda vai chegar, nenem!