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LEMBRANDO: O PREÇO É DE CAPA COM A COMODIDADE DE ENTREGA EM SUA CASA.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Whatsapp


Em tempos de supervalorização de situações irrelevantes, ela estava arrasada, afinal acabara de ser excluída de um grupo de amigos no whatsapp e isso era totalmente inadmissível.
Fora friamente jubilada daquele grupo que lhe roubara várias tardes ensolaradas em família. Grupo em que ela, dedicava-se integralmente, estando disposta a perder conversas produtivas com pessoas palpáveis e a ignorar o quão raro isso havia se tornado. Tanto esforço fora simplesmente apagado sem que antes ela pudesse, pelo menos, salvar todos os contatos do grupo!
Ela não entendia muito bem como seu número havia parado ali, mas a ideia de ter novos amigos a fez abandonar qualquer preocupação... Quando começaram a chegar as primeiras imagens com frases e caras engraçadas, percebeu como eram ótimas e bem humoradas as pessoas do grupo... Logo imaginou que, se estava ali, alguém a achava ótima e bem humorada e isso fez seu ego inflar até seus pulmões pedirem uma trégua para que pudessem se expandir também. Era tão legal! As pessoas mandavam imagens de incentivo e até vídeos motivacionais, não importava a hora ou o dia! Mas com o tempo aquilo estava ficando até meio repetitivo...
Quando parou para pensar, viu que, daquele grupo de 17 "amigos", nenhum esteve presente em seu aniversário, tampouco estiveram presentes no dia em que seu carro enguiçou em um bairro afastado da cidade e ela teve que ir a pé até o centro, porque estava sem bônus de ligação e ninguém do grupo respondeu a mensagem em que explicava a situação e pedia ajuda... Talvez aquelas pessoas não fossem amigos de verdade... Talvez aquela expulsão não fosse assim tão importante...
Enquanto refletia sobre como estava dependente daquele grupo de desconhecidos e como isso havia se tornado negativo, o celular vibrou em suas mãos: "você foi adicionado ao grupo: Amigos para sempre"
Indignou-se! Agora que havia superado o trauma vivido há 5 longos minutos atrás, fora recolocada naquele grupo que já não fazia tanto sentido...
Eis que chega a primeira mensagem: Amiga! Desculpa! Troquei de celular e, aprendendo a mexer, te excluí sem querer! Mas já corri e te coloquei outra vez... Desculpa mesmo!
Respirando aliviada, respondeu: Hahaha fica tranquila, amiga! Nem tinha percebido...
Ah! Como se orgulhava daquela resposta calma e ponderada! Detestava gente exagerada!
JADE CANGUSSU

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Desamar... Desarmar


Vazava um pouco daquele sentimento toda vez que olhava praquela pessoa e já não via mais todo o sentido que por vezes encontrara em seus olhos.
Pela janela da cozinha, olhou aquele sorriso amarelo que lhe beijava vazio quando entrava em casa.
Sentiu a boca amargar e com uma careta, largou o que estava fazendo e foi tomar um banho.
Embaixo da ducha deixava transbordar, sem tanta culpa, a confusão que se passava em sua cabeça. Passava as mãos pelo corpo já escorregadio por causa do sabão e sentia os planos de uma vida inteira passando por entre seus dedos finos e longos.
Desligava o chuveiro, porém permanecia embaixo do mesmo, com os olhos fechados, até que pudesse ouvir a última gota tocando, solitária, o chão do banheiro. Identificava-se um bocado com as gotas que escorriam para fora daquela prisão de plástico em busca da liberdade, mas logo viam-se novamente capturadas pelo ralo. Ainda assim, as invejava pela ousadia. Será que teriam valido a pena aqueles poucos centésimos de liberdade?
Enquanto secava-se, via no espelho aquela figura quase irreconhecível... Talvez não tivesse acompanhado certas mudanças. Decidiu dar uma nova chance para aquilo tudo.
Já na cama, deitou-se de lado e ficou pensando com a face voltada para a parede. Podia ouvir a respiração profunda de quem dormia ao lado. Nesse momento pensou como era boa a certeza daquela respiração. Como era bom o toque dos corpos que se esbarravam, mesmo que sem querer, ao movimentarem-se na cama. Como era bom o beijo vazio e o quanto aquele vazio significava depois de um dia cheio que, provavelmente, poderia deixar um rastro de palavras rudes naquela boca. Virou-se. Agora com a face voltada para aquele ser que lhe causava tantos sentimentos conflitantes, conseguiu sentir apenas paz. Então dormiu.
JADE CANGUSSU

sábado, 16 de maio de 2015

Nos porões de um castelo de areia



Eu considerei o último ano solitário. Os últimos vinte meses foram de perdas! Grandes perdas. Perdas que eu sufoquei com o travesseiro à noite, como se sufoca os bebês nos filmes de horror. Eu as escondi num porão úmido, enterradas com cautela e precisão, para que fossem esquecidas, para que eu não tivesse de manter um período de luto, para que as pessoas nem as percebessem. Como se eu tivesse de provar às pessoas de que eu não perdi nada!
Eu perdi. Fui perdendo o controle e fingindo estar tudo bem. Mantendo um otimismo ridículo, sendo entusiasta e fazendo piada com tudo que a minha volta desmoronava. Afinal, ninguém precisava saber o que eu estava perdendo. E com tudo desmoronado, ao porão, me deparei com as covas das perdas que eu tentei me livrar. O abalo que as estruturas causaram durante o desmoronamento, como não poderia deixar de ser, moveu as terras e as covas do lugar... Um braço daquela tarde-de-domingo escapava por uma greta da cova. Um crânio do almoço-em-família estava insinuante sob a terra. Havia discos da coluna das paixões-frustrantes espalhados pelo chão. O femur daquela quase-apaorvação-no-trabalho-que-queria estava espetado sobre um amontoado de terra. Havia, ainda, recente, os miolos dos sonhos-da-infância se decompondo misturados à terra ainda viva, há pouco, revirada, o que denunciava o recente assassinato...
Caído ali, naquele poço fundo, deitado imóvel sob os escombros do que eu considerada a vida que tentara construir, finalmente, me despia: o choro soava livre, como uma carpideira bem paga eu me desmanchava em lágrimas. Finalmente, depois de tanto tempo, chorando os defuntos que eu mesmo enterrei. Sem poder me mover, por detrás da embaço das lágrimas que vertia, enxergava se desfazer toda uma vida, todas as vontades se misturavam em uma sopa de areia e se destruiam entre sonhos de infância, sonhos de consumo e a esperança. Pronto, deixando de lado o entusiasmo e o otimismo, caído ali, consegui enxergar e confessar a mim mesmo: Tudo que eu construí até aqui foi um castelo de areia...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Cápsula do Tempo

Como qualquer pessoa normal, dessa década em que vivemos, eu faço maratona de séries, coisas como passar dezesseis horas seguidas vendo episódios de uma série (isso é normal, né, gente?!). E atualmente estou fazendo maratona da série How I Met Your Mother. Por que estou falando disso? Bem, acontece que uma personagem, em certo episódio, encontra uma carta que escreveu aos quinze anos para o seu EU de trinta anos. E percebe que as coisas não se sairam tão bem. Assim, como estou com quase trinta, mas sem independência financeira, sem independência emocional, sem emprego, sem casamento, sequer um animal de estimação ou mesmo um Pou bem criado - E Ainda: Como pretendo permanecer com esse blog pro resto da vida, fazendo as adaptações necessárias - Decidi comprar a ideia fazendo algumas alterações. E começa assim:
Se o mundo não acabou em 2019, ou se não aconteceu um bug milenar. Ainda, se o Google não faliu ou se não começou a cobrar pelo blogspot, hoje, esse dia em que você está relendo isso, pertence ao ano de 2025. Correram dez anos desde que escrevi essa porcaria. E pra começar, eu espero que suas espinhas tenham curado, porque você está nesse exato momento há cinco meses desempregado, sua família zomba de você por ter dois livros publicados e aparecer nos jornais e revistas locais e nos blogs de literatura, mas ainda ter de se alimentar do dinheiro dos seus pais. Ou seja, você não tem dinheiro pra tratamento eficaz de acne no momento. Então, espero que isso de ter espinhas tenha se resolvido. Caso não tenha se resolvido, você tem estudado bastante e já sabe alguma coisa sobre a importância real da vida. Acredito que tenha aprendido mais nesses dez anos.
Você não é fracassado nesse exato momento. Acontece, que você anda meio perdido sobre seus reais objetivos e, de fato, não tem demonstrado real desejo no seu coração para alcançar algo. Porém, existe uma lista enorme de coisas que passam pela sua mente e que você deseja que em dez anos estejam concretizadas ou em andamento.
Você tem um terceiro livro roterizado em sua mente, em 2025 é pra ele ter pelo menos 6 anos de publicação, por favor. Não deixe o desejo pela pós-graduação em psicologia morrer, afinal, você já enterrou tantos sonhos! Termine de ler a série "O Guia do Mochileiro das Galáxias", é ótima e você tem enrolado demais para isso. Tanto que a versão deluxe de "Star Wars - A Triologia" está na estante esperando por meses.
De verdade, não se martirize nos próximos anos. Tudo bem que dois anos e meio lecionando o fez pensar que, talvez, não seja o que você realmente quer para o resto da vida. Você anda confuso com sua carreira, porque no fundo queria ser apenas escritor, mas, a realidade é bem diferente e você já descobriu. O que eu quero dizer com isso, é que caso você tenha de voltar pra sala de aula, volte de peito aberto, e, o mais importante, mantenha aquela vontade de plantar sementes boas na mente dos seus alunos. Não durma na mesa do professor, nem os ocupe só porque quer ler uma revista de fofoca. Enfim, você sabe que precisa de dinheiro pra sobreviver, mas seu objetivo mesmo é escrever. Então, seja professor, seja psicólogo, pesquisador, redator ou atendente de loja, só não para de escrever, mesmo que apenas uma pessoa o leia, ou mesmo que ninguém o leia. Parar de escrever, sim, seria sua maior traição consigo mesmo. Ah, se tiver parado de desenhar esporadicamente pra se distrair, pega uma folha branca, aí, correndo.
Devido ao seu estilo de vida, você precisa morar sozinho. Afinal, o seu gato vai se chamar Satanás e sua família é evangélica. Mas, você não quer mesmo estar sozinho. No fundo, você sabe que quer estar casado, então, se ainda não estiver casado, mesmo sabendo que tem um acordo para os quarenta e cinco anos, é melhor manter o coração aberto. Eu sei que nessa vida contemporânea é moda as pessoas estarem devastadas emocionalmente. Mas, só quando você emana a energia certa é que o universo se move ao seu favor.
Os tempos mudarão, você mudará e terá novas perspectivas do mundo em que vive. Essa carta, não quer ditar regras, apenas tem o objetivo de te fazer se lembrar quem é. Para que aos trinta e seis, você estando bem, ou mal, você consiga se encontrar em algum lugar da sua mente se lembrando que o importante, na verdade, é SER e não TER, mesmo que você, como um ser humano normal, às vezes, sinta falta de TER o que os outros têm. O que você têm, rapaz, é muito valioso, caso tenha parado de cultivar, volte da forma que puder... Bons sonhos!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ficamos Adultos

Ficamos adultos.
Ficamos egoístas...
E preguiçosos.
Tão egoístas e preguiçosos que nos privamos do prazer do repouso, simplesmente, para garantir o repouso futuro.
Nos privamos do prazer da risada, para evitar o desprazer da culpa, porém permanecemos, mesmo culpados, achando graça (e brigando com quem ri)
Nos privamos da culpa, mas não da culpa propriamente dita.
Deixamos de lado o orgulho, para que possamos nos orgulhar de não ter orgulho.
Ajudamos "sem intenção", mas com segundas intenções.
Eu, neste exato momento, estou indo para a faculdade, contra minha vontade, porém, forçada por mim mesma... Subornada com o fato de isto aumentar as minhas chances de acabar logo com isso.
Como soa estranho: Sair de casa, somente para poder ficar em casa...
Levantar para poder deitar.
Viver para morrer.
Isso é ser adulto?
Então não quero mais.
Quero é ser sincera.

JADE CANGUSSU

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Abdução


De tanto ouvir sugestões sobre o seu corpo, passou a pensar que realmente havia algo errado com ele.

Com um certo desespero, tratou de matricular-se em uma academia. Queria começar a padronização o quanto antes.
Nas primeiras vezes, sentia-se viva! Praticando cooper numa rua muito longa, porém sem saída, que tinha no final, "o melhor para ela"... Porém com mais umas semanas, a luz que iluminava o fim da rua começou a falhar e então ela já não via claramente o corpo "perfeito" que tanto almejara. Quando as luzes piscavam intensamente, ela podia jurar que via o corpo exatamente como estava naquele momento.
Atordoada, começou a questionar o porquê de, de repente, desejar tanto moldar seu corpo à forma da aceitação social...
Andando na esteira, de cabeça baixa, totalmente submissa àqueles objetos escultores de corpos... Aqueles pesos amarrados às suas canelas, lhe davam a impressão de ser prisioneira de algo. E era!
Chegou, relutantemente, à conclusão de que não queria ser esculpida, polida... Não era um diamante bruto... Não era apenas "tão bonita DE ROSTO".
Em que momento lhe foi tirado o amor próprio? Ela não sabia ao certo...
Fazendo a série no piloto automático, viu-se agora sentada, malhando as pernas... Percebeu que, no momento, aquela preparação toda não era útil nem para a fuga desesperada que se passava em sua cabeça. Estava impotente... Amarrada... Acorrentada.
De repente, foi como se tudo explodisse a sua volta, inclusive as correntes que a prendiam àquele objetivo démodé de alcançar o inalcançável, e no universo só restasse ela sentada naquela cadeira abdutora... Então era realmente uma cadeira abdutora!
Foi abduzida por ela mesma! E se deu um tapa (psicológico) TÃO forte que, com a cara queimando, voltou à realidade.
Sem fôlego, percebeu que havia terminado a série de exercícios pré-determinados pelo instrutor.
Pegou suas coisas, entrou no vestiário e, durante o banho, ainda lembrando (e sentindo) o tapa que levara, decidiu que não mais seguiria a receita social de perfeição.
Continuaria perfeita à seu modo. Seguindo a sua própria receita.
Sendo assim, ao chegar em casa, olhou o livro que há um mês foi largado pela metade e retomou a leitura.

por JADE CANGUSSU

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cagando Regra

Dificilmente me encontro escrevendo sobre sentimentos cotidianos mais comuns, como paixão e amor. Porém, dessa vez, me peguei pensando em algo mais ou menos assim:
Acho que a paixão teve seus tempos de ouro na década de noventa, o filme "Atração Fatal" é um bom exemplo disso, uma marca da arte contemporânea que nos prova como naquele momento a paixão era vivida realmente. E teve o retrato da paixão que foi progredindo pro amor em "Uma Linda Mulher", esse consegue nos
contextualizar nos anos dourados da paixão com perfeita harmonia. Mas desde que começaram a cagar regra pra paixão, talvez, no inicio dos anos dois mil, a coisa degringolou completamente, na minha opinião. 
Você não pode demonstrar afeto no primeiro mês, deve parecer desinteressado se possível, não pode ligar no mesmo dia, não pode mandar coraçãozinho no Whatsapp, nem sequer marcar em nada no Facebook e, claro, a regra principal, - Sim! Quem caga regra sempre tem uma regra principal - não pode dizer que está apaixonado. Jamais usar palavras derivadas da palavra paixão. Paixão virou sinônimo de fraqueza. Estar apaixonado é vestir o figurino de trouxa e idolatrar um outro ser.  
Acontece, que o erro, na minha opinião, não está em quem se apaixona e desenha coração no canto de uma das folhas da agenda. Não está em quem ouve uma música romântica e manda pro outro. Em quem pendura uma faixa de um arranha-céu ao outro dizendo que está feliz e apaixonado. Em quem aluga um carro de som com balões de coração pra ir na porta do edifício onde o outro trabalha. Na verdade, acho, que o erro está em todo mundo que debocha disso. Mas principalmente na pessoa que no papel de objeto da paixão se sente idolatrada. Não existe motivos pra isso!
Paixão é só uma pontinha do amor. Paixão é desejo em demasia. Eu sou apaixonado por café, por exemplo, tatuei até a fórmula química da cafeína, de tão apaixonado. Sou apaixonado por pelo menos cinco amigos meus. Me apaixono por animais fofos, na esquina, todos os dias. Sou apaixonado por personagens fictícios. Apaixonado por região serrana, cachoeira, meditação e cosmologia. Já fui apaixonado por gothic metal, punk rock, wicca, magia e ilustração. Já fui apaixonado por algumas pessoas, por algumas histórias, por alguns lugares e por algumas coisas que nem lembro. E hoje, muitas paixões são memorias que guardo com carinho. Ou seja,  estar apaixonado não é levantar reis. É só sentir um desejo maior por alguém. Uma vontade em conhecer uma outra vida, um outro universo... 
Saber que alguém está apaixonado por você não é um lisonjeio, isso vai passar caso não seja recíproco. Isso vai esfriar, caso nao seja preenchido. É preciso entender que a paixão é uma etapa fugaz. Ela chega num susto. E pode sumir num entardecer qualquer. Ou seja, paixão não é pra causar temor, é pra alimentar, caso valha a pena. Acredito, que o motivo de tantos casos promissores se tornarem apenas uma memória luminosa e repleta de carinho, é o fato das pessoas deixarem o ego inflar. Pois preferem um jogo tolo de ego, preferem se envaidecer à aproveitarem a oportunidade de vivenciarem o que sempre desejam...