A Arte está morta, mas a @rT& está viva!!! (Thales Estefani)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Diamante ou Dinamite?



E esse diamante brilhando sob a sujeira?
Não consigo apurar seu real valor
Ainda não sei se é uma pedra cara, ou rara.

Pedra arranhada, que fazes caída e desamparada?
Seu brilho intermitente, adverte sua partida,
Sua alucinação demente a mantém sempre empoeirada...

Ainda não sei
Se no meio do caminho havia uma pedra,
Uma perda, ou se havia um diamante.

Mas, algo ali brilhava e anunciava um instante
Talvez o brilho fosse o pavio aceso de uma dinamite,
Talvez a fosse reflexo do sol num caco de vidro,
Talvez fosse um brilho híbrido sob a sujeira...

domingo, 6 de julho de 2014

Carma



Algumas pessoas em rodas de boteco, enquanto tomam cerveja barata e comem ovos de codorna coloridos, costumam dizer que tem o dedo podre pra escolher suas paixões. Dizem isso como se a paixão realmente fosse escolhida. Assumem o risco de responsabilizar-se por algo que a energia que move o universo e nos move é que na verdade se responsabiliza. Falam sobre dedo podre como se a gente escolhesse ser arrebatado, como se a gente escolhesse sentir uma pressão no peito, uma ansiedade catastrófica, dúvidas intrigantes, paralisia facial, como se a gente escolhesse entrar em estado vegetativo num quarto escuro ao som de Celine Dion, Thiaguinho e Fagner. Não! Não temos o dedo podre, temos um Carma.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Eu, Eu Mesmo e o Café

O que antes foi a busca do essencial
Hoje, na fatal sociedade moderna
A vida téricamente se enterra em brio
Somos só faíscas nos considerando chamas
Somos só gana jogada ao léu
Somos o fim da fama, o oposto do arquétipo de céu.

domingo, 15 de junho de 2014

Finalmente, Pra Mim, é Carnaval

Eu fui me desfazendo aos poucos de você. Isso mesmo! Pode não ter parecido, porque ao fim eu já estava decidido, mas do fim até certo ponto, eu confesso, me desfiz aos poucos. Primeiro, desfiz a caixinha que me lembrava a você, pois é, suas cartas se misturaram com as de todos os outros, se misturaram às cartas dos amigos, se misturaram às cartas das empresas, dos chefes, dos alunos, dos colegas de faculdade, enfim, suas cartas geraram volume pra minha caixa de recordação. Depois, desfiz das suas fotos! Não joguei fora, só deletei um Widget da minha área de trabalho que passava um slide nosso, tranquei nossos álbuns em todas as redes sociais e, por fim, movi suas fotos pra uma pasta chamada Arquivo Morto.
A parte mais fácil foi apagar as lembranças: O Universo tem me presenteado com um turbilhão de oportunidades que devem ser aproveitadas. E eu, como, talvez, você se lembre, estou aproveitando muito bem.
Mas, agora, foi a última etapa, foi a etapa mais difícil e a que, finalmente, deu origem a essa crônica - que eu chamaria de poética se o tema realmente me inspirasse - Foi deixar os traumas, foi conseguir enxergar e aceitar que nem tudo será como outrora fora, que da próxima vez pode melhor. Se foi bom ou ruim? Meus estudos não me permitem classificar tão categoricamente as coisas. Tento mediar o máximo possível. Lembro de coisas ótimas, as quais citei acima, as quais eu deletei! Lembro de sabores bons, mas lembro de pavores, também! E pensar que nunca mais terei alguém atencioso? Pensar que sempre as pessoas vão se magoar? Que o amor romântico deixou a desejar, quando se tratando de mim? Venci essa etapa! E agora, vejo tão claramente: Eu não sou tão gordo quanto você enxerga. Não, eu não sou tão sonhador quanto você prega nas mesas de bar para os seus amigos, no intuito de se sentir melhor em relação a esse fim. Meu pau nem é tão pequeno assim. Eu não tenho tantas dúvidas a respeito de mim, eu não estou perdido, eu me encontrei, por isso tive de te deixar. Não, velho amigo, eu descobri há pouco, eu não tenho problemas sexuais. Eu não preciso de tratamento. Eu preciso é de alguém que veja o mundo com os olhos brilhando, alguém que tenha certeza de quem realmente é. Alguém que mude sempre: mude de roupa, estilo, opinião e preferências sexuais, mas, que não seja volátil. Eu preciso de alguém que mude sempre, mas tenha certeza de quem é. Eu preciso de alguém que desamarre a minha camisa de força. Pode parecer estranho, já faz muito tempo, mas numa mesa de bar, ali, noutra, aqui, eu descobri enquanto olhava o chão, que o problema, definitivamente, não sou eu! Agora, eu me livrei de vez de tudo isso. Porque enxergo, também, que o problema não foi você. O problema foi o NÓS. Inspira e expira profundamente e sinta agora a mesma liberdade que eu...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Suéter



Mais um ano, mais datas comemorativas e, com isso, mais um dia dos namorados. Depois de algum tempo, esse é o primeiro ano que terei um dia dos namorados sendo a-pessoa-sozinha-amargurada-sem-sexo-há-semanas, mas esse título me deixa feliz (Obrigado!). Pela primeira vez, em anos, pude debochar de quem pediu conselhos sobre presente pro dia dos namorados. Além do deboche clichê, ligado estritamente à sexualidade, eu sugeri coisas que vi em filmes de amor e seriados românticos, daquelas que a gente ri de tão ridículas. Afinal, num foi o próprio digníssimo Fernando Pessoa que disse que se há amor realmente, logo, será ridículo, em seu poema Cartas de Amor?
Falei pra uma amiga sobre comprar um suéter de lã e dizer que tinha feito. Tem coisa mais ridícula do que isso? Se a gente for medir o amor por tolices, breguices e ridicularidades, os presentes clichês são os melhores. É impossível, realmente, não demonstrar o amor que sentimos por alguém sem ser ridículos. Prova disso, são os solteiros, acham tudo ridículo quando relacionado ao amor. Me lembro de ter ido ver um filme sozinho, ainda esse final de semana, um casal lindo, jovem, cheio de vida e ricos estava atrás de mim na fila com aquele papo mole de quem está se conhecendo. Achei um porre. Que coisa chata, que frases de efeito ridículas, que perguntas ridículas, que brilho nos olhos ridículo, que ridículo aquela devoção, ridículo aquele carinho discreto com a mão direita sobre o dedo anelar esquerdo dela, ridículo as mãos dela passando despercebido nos braços dele... Foi a cena mais ridícula que eu já vi na minha vida. O amor é ridículo!
É ridículo, também, ir ao cinema sozinho ver um filme romântico, ridículo ridicularizar algo que não faz parte da sua vida e mais ridículo, ainda, é não ganhar um suéter.Vou ter de comprar um, e verde e amarelo desta vez.

domingo, 1 de junho de 2014

Farinha do Mesmo Saco

- Nossa, esse ônibus não passa, né, menina?
- Nem fale, já tô pensando seriamente em ligar para um taxi, porque nesse horário é perigoso...
- Perigoso? Eu tô com meus guias...
- Tá repreendido!
- Ih, lascou...
- Sou de Deus, não concordo com essas coisas de macumba.
- Não concordo que uma pessoa de Deus não concorde com macumba.
- Não concordo que uma pessoa não concorde, de uma pessoa de Deus, não concordar com macumba.
- Não me interessa, guarde sua discordância consigo.
- E você guarde a sua consigo.
- Ok!
- Ok!
- Mas, pensa bem: como você não pode acreditar nas manifestações espirituais se você tanto lê a Bíblia?
- E como você pode acreditar que essas manifestações são boas?
- E como você pode acreditar que são ruins?
- E como você pode acreditar que vai me convencer de que não são ruins?
- E como você pode acreditar que estou tentando fazer isso?
- Que absurdo!
- Que a-b-s-u-r-d-o!
- Você não vai abalar a minha fé.
- Você nem esbarrou na minha fé, meu bem!!!
- O taxi ali, tchau.
- Tchau!
***
- Taxissista, cê acredita que estavam tentando me convencer a ser macumbeira?
- Macumbeiro e crente, tudo igual, sempre se acham com a razão, quando na verdade nós Judeus é que somos os unicos que serão salvos.
- Oi?
***
- Nossa, cobrador, uma crente chata, dessas meio beatas fez de tudo pra tentar me evangelizar...
- Odeio Deus!
- Mas, peraí, num é pra tanto... sou macumbeira, mas cremos em Deus também!
- Mas, eu creio em evolução. E o Deus que vocês criaram só traz discórdia.
- Mas, o que? ...
***
Enquanto isso, no vácuo etéreo:
- cri-cri-cri...

domingo, 25 de maio de 2014

O Que Faltou Ser



Com o tempo me tiraram um pouco da delicadeza infantil, na escola. Um pouco do brilho nos olhos adolescentes, no quartel. Um pouco da honestidade, no primeiro emprego. Tentaram apagar a minha aurea o tempo todo. Fui deixando a oportunidade de me tornar um etípeto de Principe Encantado!
A polissemia falocatra presente em diversas palavras em todas as línguas, me fez perder alguns valores, me fez perder algumas direções, me fez perder um contato comigo mesmo, exerceu em mim a perda do que outrora fora. E sobre tudo, eu cheguei a perder os sonhos!
Até que, um dia, como quem cai do céu, eu te reencontrei e me lembrei daqueles dias na infância, me lembrei da forma que você olhava através dos meus olhos, me lembrei daquele lugar que era só nosso, me lembrei do vago a vagar, do estimulo que meu peito tinha enquanto pulsava. Você foi pra mim a salvação! E toda vez que eu retomo a esse meu primeiro amor, por você, o mundo se torna outro e as lembraças do que fui me mostram o que eu realmente sou! Não sou alguém recordando do que fui. Eu sou. E cá, onde me ponho a supostamente a recordar, é que, na verdade, sou recordação!