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domingo, 10 de abril de 2016

Circulei as formigas



Esmagado contra a parede, só as asinhas com um tom leve de cinza, no entanto, transparentes, é que se faziam visíveis, ali, naquele círculo enorme de formigas, que queriam comer o falecido mosquito. Sem pensar, sem questionar, sem sequer entender o motivo, eu fiz um grande círculo de detergente em torno do círculo de formigas, assim, como é de se esperar, por um bom tempo elas não conseguiram sair, rodavam apressasdas entorno do círculo buscando o seu caminho, procurando o rastro que as outras antes deixaram.
Eu  fiquei inerte e impactado com aquela cena. Olhei para aquilo, como quem olha um quadro no museu, observei as ações daquele grupo de formigas, como quem assiste um filme do Tarantino. E nisso, ouvi a voz interior dizer: "será que é assim?" - Acontece, que não foi a minha intenção mata-las, eu só queria vê-las vencendo as barreiras, como venceram, inclusive. Pois logo criaram um novo rastro e escaparam dali. Ou seja, fiz o círculo porque eu sabia da força que elas tinham. Aí, eu me senti mal por ter interferido na vida delas só para testá-las. E foi quando um pensamento assustador me tomou...
Foi inevitável acreditar que, talvez, o universo circule nossas vidas com detergente, de vez em quando, porque essa força maior sabe das nossas capacidades de resiliência.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Sangue Bom

E essa fome que me consome quando te vejo?
Eu fraquejo com o mar de saliva que me dá na boca
A cada vez que de passagem você surge!
Mas eu sei que não está aqui permanentemente
A sua cor na minha é de um tom lugubre...
Guerreiro sem espada, nunca luta por sua ideologia,
Só vive em criativa utopia e não se fere por nada,
Evita o seu próprio sangue em pueril covardia...
O meu sangue que fervia coagula sem pancada
E na sua doce boca se consola com a energia que me faltava!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O Cara-Ponte

O cara-ponte é um termo que me surgiu, há pouco, numa reflexão que fiz numa cama de motel. Antes de expôr isso, entenda que há mais de dois anos estou solteiro e pude ser apenas instantes na vida de alguns caras. Não porque eles me fizeram de trouxa, ou porque brincaram comigo. Mas, porque eu não conseguia prosseguir com nenhum deles. Mas acontece, que no meio desses caras, alguns tiveram significado pra mim, alguns pareciam ser o cara com quem eu passaria um bom tempo, que conheceria melhor, que completaria as frases futuramente. Só que eu não sabia, ou fingia não saber, que eu era só o cara-ponte.
Acontece, que quando você sai, recentemente, de um relacionamento, sua estrutura emocional é só uma garrafa que tenha algum teor alcoólico, você sabe que precisa se reestruturar e que precisa de um tempo pra colocar as ideias no lugar - esse tempo é bem relativo, pode variar de dias à anos, a depender do indivíduo. Então, no meio da carência que esse tempo promove, você sente a necessidade de ter alguém, mesmo com tudo confuso. Assim, essa pessoa é carismática, elegante, ela fala bem, tem um ar meio cruel, parece ser muito segura de si mesma e ter total controle emocional. Geralmente, essa pessoa dá conselhos ótimos pra sua vida emocional e faz uma revolução interior no seu coração, às vezes, te ajudando a retomar um namoro, a se sentir mais seguro sozinho, a se amar mais, a ver além do horizonte... Essa pessoa te ajuda a atravessar o vale-da-sombra-da-morte dos relacionamentos amorosos. Essa pessoa te faz refletir sem sentir dor, te ajuda a se livrar das culpas, das mágoas, do rancor... Essa pessoa te faz enxergar a si mesmo em perspectivas antes não observadas. Abre o mar-vermelho que virou sua vida! Faz a Genki Dama pra matar os seus demônios. Essa pessoa é a sua ponte para atravessar o rio de lava do Super Mário. E você atravessa, com o coração cheio de paz, harmônia, mas, principalmente, gratidão! Afinal, essa pessoa é segura de si, carismátia e tem até um certo ar de decidido. Então, ter um caso com essa pessoa, enquanto ela te ajuda a passar por esse momento, não a afetará, certo? Errado! Essa pessoa é o cara-ponte. E o cara-ponte é um ser humano. Que embora carismático e aparentemente seguro, é extremamente sensível, até por isso ele é uma ponte...
Eu sou o cara-ponte e posso afirmar com firmeza: as pessoas que estão recentemente termiadas, ou que estão prestes a terminarem, tendem a se interessarem por mim. Posso estar na festa da empresa, na boate, no pé sujo da esquina, no trabalho, no ônibus, atravessando a rua, pagando uma conta, ou mesmo em casa... sempre eles chegaram até mim, como se fossem um escolhido! Essa informação de que estão destruidos emocionalmente só surge encontros seguintes, mesmo que desde o primeiro encontro eu saiba veementemente de tudo. E como um cara-ponte, eu posso te dizer: o cara-ponte te quer muito, ele te conheceria melhor e se tudo desse certo ele casaria contigo! Ele tem um coração enorme e quando diz a você que, talvez, seja melhor você repensar as suas atitudes erradas com seu ex, na verdade, o coração dele está apertado por si só dentro do peito, se revirando como uma fumaça espessa em meio ventos tempestivos. Enquanto ele torce para o seu futuro e te aconselha aos melhores caminhos a se seguir, mesmo sabendo o quanto ele te afasta, em meio a sua mente, bem atras dos olhos, no sistema límbico, ele deixa a melancolia o tomar! O cara-ponte está te levando até a porta da igreja, onde você vai se casar, carregando um sorriso enorme no rosto. No entanto, ele some quando você se vira por um instante. O cara-ponte sempre some, ele só suporta a dor de ser apenas um instante, até que você chegue, seguro, do outro lado do rio, assim, a ponte se desfaz atrás de você, o rio corre calmo de onde você vê, você ouve pássaros ao longe e vê um sol cintilante. O cara-ponte é resiliente, tá sozinho na outra margem, sozinho como sempre esteve, pois você não esteve de fato com ele...
o espaço na mídia é quase zero. por isso, falamos aqui. estamos de olho!