Para comprar um dos meus livros Clique nos Títulos:
LEMBRANDO: O PREÇO É DE CAPA COM A COMODIDADE DE ENTREGA EM SUA CASA.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Duas Vidas


Ela queria uma vida linda. Ele, meio malandro, só queria uma vida divertida. Ela, sempre se lamentava pela vida. Ele, até esbravejava contra Deus uma vez ou outra, mas amava a vida que tinha. Não que ela não amasse, mas se entediava, vivia outras vidas, se punha absorta dentro de si, fugindo descaradamente da vida que no fundo amava, mas não conseguia suportar por sentir antes de tudo um vazio inesplicável...
Por muitos tempo ele tomava o café da manhã mergulhando deliciosamente em sua vida. Ela afogava sua vida num desdém sem precedentes, enquanto bebia o café melado...
Ele dizia na mesa do café: - Você é a minha vida!
Ela respondia: - Você é a minha! - E pensava intimamente que a vida não era questão de escolha.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Somos todos trouxas



É normal ser trouxa. Tenho visto muitas pessoas vestindo a camisa de trouxa, tatuando trouxa na testa, no antebraço, na bunda... gente comprando chaveiro de trouxa, bottom de trouxa e levando um estilo de vida que denominam como Trouxacore. Entretanto, peço desculpas, mas ACHO que não precisa disso, dessa coisa de querer deixar claro o quanto se é trouxa. Somos todos trouxas. Isso mesmo! Um dia eu sou trouxa, noutro você, num dia a atendente da loja de suprimentos é a trouxa, no outro é o professor perante trinta alunos, num dia trinta alunos é que são trouxas na mão de um professor desmotivado, ainda, há aquele dia que você se sente trouxa pelo seu namorado, no outro ele é mais trouxa que o nerd que fazia suas atividades na escola, aquele nerd que agora te faz de trouxa, porque é seu chefe e gosta do cafézinho nem doce, nem amargo. Todos trouxas.
Eu sei que tem dias que ser trouxa soa um pouco divertido. A gente ri da nossa própria cara de trouxa, em contrapartida, eu sei que, às vezes, ser trouxa dói mais que ouvir que você não foi a melhor transa. Mas, entenda bem, ninguém disse que seria fácil viver, ninguém disse que aprender é sempre divertido, além disso, pior que sermos todos trouxas, é sermos todos humanos. E isso dói muito mais. Embora, talvez, eu considere a mesma coisa!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Supernova


Eu sou um monstro domado por mim. Eu sou a luva do cirurgião. Das relações de amor, eu sou só o tesão. Do olhar, apenas o brilho reflexivo. Eu sou o ritmo da batida do Carnaval. Enfim, eu não sou permanência, tampouco ausência. Eu sou como o brilho do sol, que modifica a Terra e a vida das pessoas, mas ninguém vê. Eu sou como um ET, que invade pessoas nas madrugadas, mas ninguém comenta. Sou como o magnetismo da lua, que influencia a vida, mas ninguém se importa. Enfim, eu sou na vida de qualquer pessoa, as partículas de uma estrela que à anos luz explodiu, eu sou Supernova...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Questão em Aberto

Sabe o que eu estou sentido? - Perguntou-se. Mas, não soube responder imediatamente. Procurou num buraco da alma ali, noutro buraco da alma aqui. Pensou em diversas palavras que definissem sua inércia sentimental. Quase sentiu raiva. Os olhos até ameaçaram encher d'água. Mas, não encheram, a raiva não veio. Não sentiu o coração acelerar, sequer se lembrava de como podia descrever a sensação de raiva.
Eu ainda sinto? - Tentou mudar a indagação. Mas, foi ineficaz. Queria saber de um sentimento específico? Ou estava confuso sobre toda a sua forma de sentir? Não havia mais aquela magia permanente, as coisas aconteciam como um deja-vu. Nada era novo! E como num relogio que girava até o doze e começava tudo de novo, observava como se estivesse de fora a sua vida acontecer. Afinal, ainda sentia?
O que é sentir? - Dessa vez, menos ainda soubera do que se tratava. Ele olhou com olhos de defunto. Um olhar que ninguém jamais vira, pois nem no espelho tivera coragem alguma vez de fitar-se assim. Mas, ele olhou com olhar de defunto para a cabeceira da cama. Mas, ali, já não havia a cabeceira da cama, já não havia as questões feitas a si mesmo, noutra dimensão buscava entender a questão principal: ...

sábado, 29 de novembro de 2014

Barulho Engraçado


Uma música de jazz tocava ao longe, cortando o silêncio afável das madrugadas. Ela, sentada sobre sua King Box, que tinha um edredom laranja embolado perto da cabeceira, apoiava o cotovelo em uma das pernas (causando uma dor, a qual não a incomodava) e levava à boca sua unha esmaltada de vermelho. Pela garganta passava espremido, no nó que criara, o gosto ruim do esmalte que desfizera entre seus dentes. Mas, também, não a incomodava. Ela estava engolindo coisa pior. Engolia a vontade de dizer tudo o que sentia, suas papilas gustativas sentiam o amargo de calar.  
Ele não entendia nada que ela vivia, ele mal sabia da vida dela. Ele não sabia, mas por trás daquele sorriso emoldurado pelo batom frambuesa aconteciam catástrofes estrombóticas, explosões como um Big Bang! Ele nem imaginava, mas enquanto ele discursava sobre um filme ruim, que viu na noite passada, e citava coisas da sua vida como exemplo, ela sorria! Mas, por trás do sorriso encantado, sua língua dobrava como um nó, no intuito de abafar os gritos na mente. Porque ela engolia tudo que queria falar, ela engolia palavras não-faladas, palavras não-escritas, engolia pontos, sinais gráficos e uma entonação sincera. Tudo isso era engolido e passava pelo natural processo de digestão, iria virar uma merda! E o que sobrava na sua boca era um oco, que se ela batesse contra, usando uma das as mãos, faria uma barulho engraçado. 
Na boca de batom já enfraquecido, repousava a unha do dedão com esmalte pela metade, enquanto se lembrava do quanto era engraçada, enxergava, que engolir o calar deixava marcas. Assim, refletiu sobre a origem da palavra calar. Calar causa calos por dentro. E mais uma vez, num calo, bateu na boca como índio, queria ouvir o barulho engraçado do oco que sobrara.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Segurança Máxima


Eu prometi pra mim mesmo que não seria mais assim. Eu lembro de todos os detalhes: Eu levantei os olhos em direção ao horizonte cinza da cidade, olhei para os prédios e imaginei as pessoas espremidas em seus apartamentos, um prédio pichado revelava a melancolia que eu sentia. As pichações eram como as minhas marcas. E como qualquer ser humano normal, eu me imaginei num clipe pra disfarçar a melancolia, que de tão bonita se tornou natural. E a promessa? Poxa, essa se perdeu na segunda nota de uma música qualquer.
Acontece, que eu não mantive a promessa, porque tem um pouco de sagrado quando eu toco a pele de alguém, que eu realmente gosto. Tem um pouco de ritual, não é como o toque de uma foda no meio da tarde com alguém que você conheceu ao amanhecer numa porta de boate. Tem um quê de oração. Um arrepio místico. É que aquele silêncio sem constrangimento penetra o invisível da nossa existência.
Eu não pude manter a promessa. Dia após dia, quando eu ia te encontrar, eu dizia para mim mesmo: É só não olhar nos olhos! - E eu não olhava. Olhava sua boca e o desenho do seu sorriso, olhava seu nariz e seu peito inflando de ar, olhava suas sobrancelhas franzindo, levantando, adormecidas ou existindo, enquanto sua boca falava. Mas, não olhava seus olhos, que me aprisionariam, eu imaginava! No entanto, te tocar teve um pouco de sagrado. E quando o toque vibrou, tal como o arrepio de um ritual religoso, o céu mergulhou em mim e eu lancei os olhos nos seus olhos - quebrei a promessa de não-me-apaixonar - os seus olhos aprisionaram alguma parte de mim. A outra parte de mim grita de vontade de te ver, mas é por egoísmo, a-outra-parte-de-mim quer tomar de volta o que os seus olhos prenderam. Porque um coração violentado, fecha o peito com força para qualquer outra penetração.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dois Segundos


Era uma segunda-feira, a noite se exercia com uma atmosfera sombria, coberta por um vento frio e um silêncio fúnebre, um silêncio como os dos filmes europeus, nessa noite, interrompido, apenas, pela industria feroz que gritava a sua poluição contra a cidade.
Ele descia as escadas ásperas de mármore daquele grande edifício, sozinho! O seu horizonte morria nas chaminés da monstruosa indústria, morria o horizonte e parte da sua fé. Pois, acreditava ser esperançoso, até morrer bem ali e ressucitar ao se elevar ao infinito e se misturar ao todo, tal como a fumaça que dançava ao sair pela chaminé. Sentiu o silêncio o tomar, sentiu o vento sussurrar em seus ouvidos, sentiu as correias da mochila pesada se debaterem pelo seu corpo e, por fim, sentiu na respiração lenta o ritmo fraco que embalara o coração. Levantou os olhos revirando-os em resposta negativa a sua mental indagação. Ele contara a si uma verdade. E para si revelara num instante desatento a sua vontade. Até que no último degrau, daquela escada áspera, pisou firme obtendo o impacto necessário para a compreensão...