Não é o fato de por vezes eu pensar, seriamente, na possibilidade de me inscrever nas vagas de deficiente físico de um concurso, por ser extremamente feia, que me tira o direito de ser mulher. E por ser mulher, tenho o direito de expressar minha gratidão pelas ancestrais, porque se ainda fossemos submissas eu teria um fim trágico, seria uma solteirona e siririqueira, você pode pensar que estou sendo rude com a minha própria aparência, mas devemos pensar que sem o pensamento livre eu não poderia mostrar o quanto sou uma pessoa brilhante. Assim, quero deixar claro que foi fantástico o lance de queimar os sutiãs. Nós mulheres, principalmente as feias, temos o direito de sermos livres, com pensamentos a frente do nosso tempo sem sermos massacradas por uma sociedade machista.Ser feia não me incomoda como deveria incomodar, o que me incomoda em ser feia é o quanto isso incomoda as pessoas, assim, prefiro sempre ser quase militante a favor das feias, não me refiro às narigudas, ou orelhudas, ou gordinhas, ou gordas, ou estrábicas, me refiro as feias, não as feias que arrumadas ficam apresentáveis, me refiro as que nem com plástica conseguem esboçar qualquer tipo de coisa parecida com beleza. Falo sobre as feias de verdade, como eu, que nem ser magra disfarça a feiura. E como quase militante, além das demais mulheres, pois como uma feminista não quero fragmentar o grupo, eu desejo a todas nós, um parabéns abençoado por Deus (Porque Deus ama as feias também, eu acho!) e muita dignidade para seguir em frente com toda a nossa inteligência. Porque já nos basta ser feias, vamos ser livres para pensarmos amplamente e conquistar o mundo de beleza através das ideias e pensamentos livres. Somos todos (No caso do dia da mulher: TODAS!) iguais. E devemos saber que nem tudo que é belo seduz.
Débora Walker.